A superlotação no sistema prisional de Londrina começa a ser resolvida hoje, em parte, com a transferência de 70 presos para a Casa de Custódia de Curitiba (35) e para a Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (35). Autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça, a medida foi confirmada ontem à tarde pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, durante uma visita ao 2º Distrito Policial (DP) e à Casa de Custódia (CCL), e pelo delegado-chefe do Centro de Triagem da Polícia Civil de Curitiba, Clóvis Galvão. A remoção dos presos será feita por policiais civis de Curitiba e por militares do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina.
Acompanhado de delegados da Polícia Civil de Londrina, Delazari vistoriou a carceragem do 2º DP, interditado semana passada devido à superlotação dos 68 presos que comportaria, ela abriga hoje 195. O secretário disse que, até o final da semana que vem, o local passará por uma reforma de emergência. Segundo o delegado Fátimo de Siqueira, uma equipe de engenheiros fez ontem de manhã o levantamento do que precisará mudar nas instalações. ''As maiores necessidades estão nos setores hidráulico, devido aos muitos vazamentos, no elétrico e no de ventilação'', afirmou.
De acordo como diretor da CCL, major Edson Tomás, dos 70 presos que serão transferidos hoje, 53 são condenados que estão ainda CCL. Desses, 20 vão para Ponta Grossa e 33 seguem para Curitiba. ''Mesmo assim isso não resolve a situação. Estamos com 423 presos, quando a capacidade real é de 288'', reclamou, adiantando que dez vagas foram reservadas aos provisórios encaminhados pela 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP). Os outros 17 do grupo que viaja hoje saem do 2º DP, que remanejará mais 53 para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ou para a CCL, conforme a rotatividade das vagas que forem abertas. Na próxima semana, mais 30 devem ser transferidos da carceragem. ''Essa readequação será feita, pois temos 150 vagas ociosas em Ponta Grossa e 480 em Piraquara'', apontou Delazari.
Na CCL, o secretário criticou o montante gasto pelo governo anterior na construção da Penitenciária de Ponta Grossa. ''Lá foram investidos R$ 12 milhões para 450 vagas; estamos construindo seis casas de custódia com a mesma capacidade ao custo de R$ 1,8 mi cada uma, e com a mesma qualidade. A diferença é que nelas não há chuveiro eletrônico nem torneiras de aço e inox'', ironizou.
Já no 2º DP, além da reforma de caráter emergencial, a qualidade e o preço da refeição entregue aos presos também passará pelo crivo da Justiça. Isso porque o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, encaminhou procedimento ao Ministério Público (MP) para apurar supostas distorções nos preços das marmitas de lá. Enquanto na CCL é servida refeição de 800 gramas ao preço de R$ 2,14, no distrito ela pesa 300 gramas, seria mais simples e sai por R$ 2,55. ''A qualidade da comida também é questionável'', disse o juiz. O delegado Siqueira garantiu desconhecer o fato. ''Nunca tivemos problema com qualidade nem com quantidade'', resumiu.

mockup