Cerca de 20 representantes de entidades civis e públicas de Londrina estiveram, ontem à tarde, na 10ª Subdivisão de Polícia (SDP) fazendo uma manifestação de apoio ao delegado-chefe Gilson Garrett Algauer, que deve ser transferido nesta semana para a Corregedoria de Polícia do Paraná. Entre os manifestantes estavam vereadores, membros do Fórum Permanente e do Conselho Comunitário de Segurança, Centro de Direitos Humanos (CDH), empresários e líderes religiosos. Até a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina de Paula, foi levar sua solidariedade ao delegado-chefe. Garrett se emocionou com o gesto e chorou no discurso de agradecimento que fez. A maioria dos manifestantes ameaçou boicotar a posse do novo delegado, Pedro Colaço, marcada para amanhã se a Secretaria de Segurança Pública não justificar a transferência.
Para os manifestantes, a transferência do delegado sem a consulta prévia a comunidade foi classificado como um gesto ‘‘autoritário’’ e ‘‘lamentável’’, visando ‘‘desestabilizar um movimento organizado em prol da segurança pública’’. Para vereadora Elza Correia, membro do Fórum Permanente de Segurança, a decisão da secretaria foi um ‘‘golpe na luta pela segurança de Londrina’’. ‘‘Dr. Garrett era um aliado nessa luta. Com seu trabalho, ganhou a confiança e a credibilidade da comunidade. E não é mudando um delegado que vão resolver o problema’’, afirmou.
Para a promotora Édina de Paula, a transferência do delegado foi vista com ‘‘preocupação’’. ‘‘Dr. Gilson está sendo punido por causa de uma briga entre a Secretaria e o poder judiciário. Só que segurança pública não é brincadeira e não podemos deixar que questões menores interfiram’’, disse.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Ivo de Bassi, disse que entidade e o Fórum Permanente vão elaborar um documento pedindo a revogação da transferência de Garrett. ‘‘Principalmente porque o secretário havia se comprometido com a sociedade organizada a consultá-lo se houvesse troca de comando’’, afirmou. Para ele, a medida foi política. ‘‘A gente não mexe em time que está ganhando. E a saída do delegado-chefe não significa apenas a saída de Garrett, mas também a do delegado-adjunto e dos delegados-operacionais, que são funções de confiança’’, explicou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, classificou a manifestação de apoio ao delegado de Londrina como ‘‘gratificante’’. Segundo ele, o carinho dispensado à Garrett mostra que ele ‘‘honrou a instituição e serviu a comunidade como devia’’. ‘‘São demonstrações como essa que deixam qualquer pessoa orgulhosa. Tem delegado que, quando é transferido, a cidade faz manifestação para que vá embora ainda mais rápido’’, brincou.

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