Os últimos preparativos para a transferência dos camelôs da área central de Londrina para os boxes construídos em trecho da Avenida São Paulo causou transtorno para os motoristas que passaram pelo local ontem. Funcionários da Secretaria de Obras trabalharam durante toda a tarde na construção de galeria para captação da água pluvial, e o trânsito ficou impedido na Rua Benjamin Constant. A galeria tem o objetivo de diminuir o fluxo de água na parte baixa da avenida e, consequentemente, evitar o risco de inundação das barracas, em dias de chuva.
As obras provocaram um certo atraso na mudança definitiva dos camelôs para os boxes, que estava prevista para amanhã. ‘‘A inauguração deverá acontecer na quinta-feira’’, prevê Manoel Barbosa Freire, presidente da organização não-governamental (ONG) Canaã, que reúne os 220 barraqueiros que se cadastraram para trabalhar no local.
Ontem os marceneiros contratados pelos camelôs ainda trabalhavam na confecção das últimas barracas. O vice-presidente da ONG, Rogério Gonsales do Nascimento, era um dos poucos que já preparavam a barraca para colocar as mercadorias. ‘‘Cada um vai adaptar o espaço de acordo com a sua necessidade’’, explicou, enquanto instalava prateleiras.
Para Nascimento, a solução encontrada pela prefeitura, mesmo que provisória, é boa e está agradando aos camelôs. ‘‘Mas a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) vai ter que fiscalizar, para não voltar a aparecer camelôs nas ruas, como já aconteceu anteriormente. Aqui dentro, nós garantimos que só vão trabalhar os que estão cadastrados’’, disse Nascimento.
Segundo Manoel Barbosa, muitas pessoas têm procurado a ONG acreditando que ainda não terminou o cadastramento dos vendedores que irão trabalhar no novo camelódromo. ‘‘O problema é que o desemprego é muito grande, mas não temos como resolver isso.’’
O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse acreditar que não há espaço para mais camelôs no centro de Londrina, e que a fiscalização vai continuar. ‘‘Com a organização dos vendedores nas barracas, a cidade vai ficar mais transparente e, com isso, mais fácil de identificar os novos camelôs, caso surjam.’’
Sella não vê problemas em transformar em zona azul, o trecho da Rua Benjamin Constant próximo ao camelódromo, como vem sendo reivindicado pelos vendedores. Eles argumentam que os clientes têm dificuldade em conseguir vagas nas proximidades, e o estacionamento rotativo ajudaria a resolver o problema. ‘‘Acho que é uma forma de democratizar o estacionamento, mas a decisão também depende do IPPUL (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina)’’, disse Sella.

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