Israel Reinstein
De Curitiba
Manter uma relação sexualmente saudável é a meta de três transexuais masculinos, que há dois meses fizeram operação de troca de sexo, sob a coordenação da Clínica de Sexologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Segundo a psicóloga que as assiste, Regina Mara Teixeira, elas agora deixaram a fase de reconhecimento da sua nova genitália e podem manter uma relação sexual, sem que isso represente um trauma. ‘‘Passado período pós-operatório, todas demonstraram condições psicológicas para ter uma vida saudável’’, afirmou Regina, que coordena a clínica da UTP.
Regina explicou que nesses dois meses as pacientes, que tinham características masculinas, mas ‘‘alma feminina’’, receberam acompanhamento e treinamento para conhecer melhor o corpo. Por meio de exercícios corporais, elas reconheceram como funcionam o novo órgão. ‘‘É um processo de reeducação, que agora está maduro’’, afirmou. Regina disse que, antes da operação, foram necessários mais de dois anos para preparar os pacientes paranaenses, com idades variando entre 26 e 46 anos.
Além dos três transexuais, um quarto transexual está sob observação. Esse paciente, que era uma mulher, foi submetido a uma operação inédita no País de construção da genitália masculina. Ele precisou passar por oito procedimentos. Já pode urinar com o pênis implantado, mas ter prazer sexual, em seu caso, é bem mais complicado.
A psicóloga Regina Teixeira afirmou que, em função dos resultados positivos, cresceu a procura para mudança de sexo. Atualmente, 30 pessoas estão sendo avaliadas, sendo que seis estão prontas para serem submetidas à cirurgia. Aquelas que podem ser operadas, já passaram por todas as etapas exigidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamenta a operação desde 1997, em caráter acadêmico.
Segundo a psicóloga, faltam recursos para que os seis pacientes possam ser operados. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) não custeia esse procedimento cirúrgico. Para mudança do sexo masculino para o feminino, são gastos R$ 600,00 na cirurgia. Já na transformação oposta, a internação e cada um dos oito procedimentos chega a R$ 1,5 mil por internação, sem contar custos com antibióticos e outros medicamentos.

mockup