Transeuntes denunciam pedágio no Bosque
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quarta-feira, 29 de abril de 1998
Paulo Ubiratan 
Cesar AugustoMão duplaPassarela do Bosque gangues roubam e praticam sexo no localMoradores vizinhos ao Bosque, localizado no centro de Londrina, denunciam que o local virou ponto frequente de gangues. Segundo eles, as gangues cobram pedágio de menores transeuntes, assaltam idosos e praticam sexo nos banheiros. O local mais perigoso, conforme as denúncias, são os cerca de 50 metros da passarela que atravessa o Bosque e une a Rua São Paulo e a Avenida Rio de Janeiro.
Cheguei a pagar até R$ 3,00 por dia para uma turma que me atacava. Eles chegam perto da gente, um deles dá uma gravata no pescoço e, como estivessem conversando, para não chamar a atenção de outros passantes, pedem dinheiro, ameaçando com uma facada em outra mão, conta o estudante A.M.V., 14 anos, Ele diz que deixou de atravessar o Bosque para não ter mais que pagar o pedágio. O menor afirma que não contou nada à sua família com medo de represália da gangue.
J.S.D., com 12 anos, continua sendo assaltado e justifica ter que pagar os R$ 2,00 pelo pedágio. É como se eu andasse de ônibus. É preferível eu pagar o pedágio e ter a garantia de ser bem tratado por eles do que todos os dias passar medo e terror quando vou para escola. Eles nem me abraçam mais (dão gravatas), pois logo que entro no portão do Bosque vou direto a eles entregar o dinheiro. Antes eles exigiam R$ 5,00, agora me cobram R$ 2,00. O jovem conta que são duas gangues formadas por adultos e menores de idade. A cobrança do pedágio é feita pelos menores, sob a fiscalização dos adultos.
O deficiente físico J.L., 62 anos, diz ter sido assaltado oito vezes no Bosque. Nas duas últimas vezes, ele foi jogado no chão porque tentou reagir. Na primeira vez estes vagabundos vieram conversar comigo como se nada queriam. De repente um deles pulou no meu bolso e tirou uma nota de R$ 50,00, parte de valor para eu pagar a luz. Cheguei a recorrer a um policial militar, mas ele pouco pode fazer pois os ladrões saíram correndo.
As reclamações também partem de mães que levam seus filhos para o playground. A qualquer hora do dia homossexuais fazem programas nos banheiros onde juntam-se jovens e até menores de idade. Não vou mais lá, depois que fui obrigada a ver cenas de sexo nas portas dos banheiros, afirma a professora A.R.T., 34 anos, que tem uma filha de seis anos e um filho de quatro.


