Tranqüilidade bem pertinho do Centro
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Foi por causa da padaria de Aluísio que o asfalto chegou na Rua Tibagi, na Vila Recreio, Região Central de Londrina. Antes era chão de terra, até que um conhecido prometeu - ''O senhor está aqui agora seu Aluísio? Vou mandar passar asfalto aqui então'' - e cumpriu. ''Quando eu inaugurei a padaria, o asfalto já vinha até aqui. Desde então eu só vi essa região crescer.'' Morando há 39 anos na mesma casa, o agricultor Aluísio Ildebrando Martins, 70, criou os quatro filhos no bairro que ele considera ''excelente''.
''Estou a 11 quadras da Rua Sergipe, que é bem no Centro de Londrina. E isso não é bom? Estou perto, mas sem ter o movimento e o barulho de lá. Em 15 minutinhos estou lá, a pé.'' Mas mesmo com tanto prazer em viver na Vila Recreio, ele faz uma ressalva para a falta de segurança. ''Apesar que isto está em Londrina inteira. Não sei quem se sente seguro.''
Morando há bem menos tempo no bairro - cerca de dois anos -, a dona-de-casa Lourdes de Oliveira, 57, também diz adorar a Vila Recreio. ''É bem melhor que o meu bairro antigo. Aqui a gente faz amizade fácil, tem padaria, farmácia e ainda está bem pertinho do Centro. Tem de tudo. O ruim é que eu tenho que andar alguns quarteirões para pegar ônibus porque não tem ponto aqui na minha rua.''
O curioso é que Lourdes mora na rua que dá acesso à garagem da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). ''Passa um monte de ônibus, o dia inteiro, mas nenhum pára'', ri, logo dizendo que não acha ruim ter tanto movimento na frente de casa. ''A gente vai acostumando e não tem o que fazer. Os ônibus precisam sair, não é?''
A Vila Recreio foi criada na década de 40 e hoje, segundo o presidente da Associação de Moradores, Roberto dos Santos Benedito, reúne cerca de 12 mil pessoas. Tem um comércio próprio e duas escolas, uma municipal - Escola Municipal Eurides Cunha - e uma estadual, o Grupo Escolar Tiradentes. ''É um bairro muito tranquilo. O que as pessoas mais reclamam é do asfalto, de alguns bueiros entupidos e a da falta de segurança'', destaca.
Os espaços de lazer talvez sejam o ''calcanhar de Aquiles'' do bairro. ''Tem um campo de futebol suíço na sede da associação de moradores e duas quadras nas escolas, mas o acesso é restrito. O que as pessoas utilizam é o Centro Social Urbano da Vila Portuguesa.'' A principal praça do bairro, utilizada para pequenos eventos locais, também já não atende a demanda local. ''Precisamos de uma revitalização. Muitos jovens, de outros bairros até, vêm usar drogas aqui. Aí eles quebram as lâmpadas para ficar escuro'', explica Benedito.
O módulo policial que fica na praça está desativado, o que facilita as ações infratoras dos adolescentes. ''Isso era uma coisa que precisava voltar. Precisávamos ter os policias ali no módulo de novo'', sugere Aluísio. Segundo o presidente da associação de moradores, projetos de revitalização do local já estão sendo elaborados. ''Será uma forma de afastarmos esses adolescentes.''
De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, o sistema de policiamento nos bairros foi modificado em Londrina e não é mais feito através dos módulos policiais, mas do Projeto Povo. Ele assegura que a Vila Recreio é atendida pelas viaturas comunitárias.


