O caso de abandono do recém-nascido Miguel José surpreendeu o promotor de Justiça da Vara da Infância e Família em Apucarana (Norte), Gustavo Marcel Fernandes Marinho. Em 15 anos de atuação nessa área no município, esta é, segundo ele, a primeira vez que acompanha um caso assim.
O promotor disse ainda que geralmente as crianças atendidas são vítimas de maus tratos dentro de casa e que isso motiva a destituição do poder que os pais exercem sobre os filhos. ''Não me lembro de ter atendido casos em que a mãe abandona a criança da forma com foi feito agora; quase sempre a solicitação vem de uma assistente social, por problemas que identifica dentro do lar da criança'', explicou.
Embora o caso de Miguel José seja inédito para o promotor, os procedimentos, segundo ele, são os mesmos de outras situações. ''O bebê deve permanecer no abrigo até que encontremos alguém da família e, se ficar constatado que nenhum familiar tem condições de cuidar da criança, então ele será encaminhado à adoção'', esclareceu.
Marinho comentou que o processo não tem um tempo determinado para ser concluído, já que depende de alguns fatores como a vontade da família biológica requerer a criança e também a avaliação das condições apresentadas pelos solicitantes da adoação. ''A família que pretende adotar precisa primeiramente estar cadastrada na lista Nacional de adoção e, nesse período, passará por avaliações da assistência social e só então o bebê pode ser adotado'', revela.
Outro fator que causa um entrave no processo da adoção são as características que os interessados buscam na criança, como a idade, e a existência de parentesco com outros abandonados. ''Quase sempre, eles querem recém-nascidos e outro fator é no caso de irmãos, já que a Justiça prioriza não separá-los e a maioria da famílias não tem o interesse de levar mais de uma criança'', argumentou. (V.F.)

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