Tragédias que desencadeiam doenças
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem local 
Que muitas doenças físicas têm influência emocional a maioria das pessoas já sabe. No entanto, estudos comprovam que as emoções e o estresse estão relacionados até mesmo ao risco de enfarto e doenças coronarianas. De acordo com o médico cardiologista Laercio Uemura, de Londrina, pesquisas apontam que colesterol e tabagismo são fatores importantes no desenvolvimento de doenças no coração. Porém, ele explicou que o falecimento de pessoas queridas, perda de trabalho, aposentadoria, separação, descoberta de doenças na família e outras situações que podem provocar traumas são tão importantes quanto a hipertensão e a obesidade abdominal no desenvolvimento destas doenças.
''Temos comprovado que situações de estresse podem interferir no desenvolvimento de doenças cardíacas, principalmente entre aquelas pessoas que já possuem alguma predisposição para o quadro'', explicou o médico. Algumas famílias preferem poupar pessoas de mais idade escondendo informações, principalmente a respeito do estado de saúde de parentes ou do seu próprio, para evitar que a pessoa se estresse.
De acordo com o médico, este é um comportamento não recomendado. ''A melhor maneira é controlar o problema de saúde que esta pessoa tem e encontrar uma forma adequada de contar o que está acontecendo. O segredo está na forma como esta informação será passada e em como a pessoa vai lidar com isso'', afirmou. Ele lembrou que o estresse é maior quando a pessoa descobre sozinha uma situação que a família estava escondendo.
O cardiologista afirmou que as perdas de emprego e situações de estresse no trabalho aumentam em 27% os riscos de doenças coronarianas. ''Os estudos mostram que a separação de casais aumenta mais ainda o risco. Quando comparamos pacientes pós-enfarto, os divorciados representam maioria, em torno de 30%'', afirmou.
Inevitável
As situações de estresse estão presentes na vida de todos os seres humanos e são inevitáveis. Porém, de acordo com Uemura, o estresse sozinho não é um fator determinante para o desenvolvimento de problemas cardíacos. ''Por isso as pessoas devem manter hábitos de alimentação saudável, controlar o peso e o colesterol e fazer atividades físicas, assim terão condições clínicas de saúde para combater uma situação assim'', disse. Ele lembrou que quando associado ao tabagismo e diabetes o estresse pode desencadear sérios problemas de saúde, principalmente no coração.
A forma como cada pessoa encara a situação de estresse também é um fator importante para o desenvolvimento ou não de doenças associadas. ''A interferência maior talvez esteja no grupo das pessoas com 50 anos ou mais. Esta é a fase em que elas se aposentam, é um momento em que o fator emocional interfere muito e deixa a pessoa mais vulnerável'', destacou o médico.


