Dorico da SilvaConvicçãoHenrique Pim Neto, 25, de Cuiabá: ‘Acidentes são fatalidades’ Os últimos acidentes envolvendo aeronaves, pilotos e moradores de Londrina - só neste mês foram quatro, com cinco mortes - não afugentaram os candidatos dispostos a ter a aviação como profissão. O Aeroclube da Cidade iniciou dois cursos este mês e ambos com número de inscritos dentro do considerado normal.
Para o curso de Piloto Privado estão inscritos 33 alunos, em duas turmas; e para Piloto Comercial e Vôo por Instrumento, 11 alunos. ‘‘É um número muito bom para janeiro, mês de férias’’, afirma o superintendente do Aeroclube, José Adauto Fernandes Macedo. O Aeroclube oferece três cursos iguais a esses a cada ano, com duração de quatro meses cada um, somando 230 horas.
O aprimoramento e experiência são fundamentais para o bom profissional, afirma o superintendente do Aeroclube de Londrina. ‘‘Aviação é uma carreira como qualquer outra. Se uma pessoa tem licença para piloto privado não significa que já seja um profissional. Temos etapas para vencer’’, observa José Adauto (foto). Ele explica que os pilotos privados estão restritos a voar com monomotor, em vôo visual e com aeronaves de operação terrestre (só pousam em terra). Outro detalhe é que esses pilotos não podem ter vínculo empregatício.
Dorico da SilvaJustificativaRodrigo Dott, 17: ‘Acidente pode acontecer no chão ou no ar’
A segunda etapa a ser enfrentada pelos que querem seguir a profissão é o curso de Piloto Comercial e Vôo por Instrumento. ‘‘Os alunos são habilitados da mesma forma que o Piloto Privado, com a diferença que podem atuar profissionalmente’’, explica José Adauto. A terceira forma de licença é para Piloto de Linhas Aéreas, cujos cursos são geralmente dados pelas companhias aéreas.
Mas a profissão não se limita a licenças. Para se tornar um profissional qualificado é necessário horas e mais horas de vôo e muitos cursos, entre eles, para pilotar aeronaves multimotores, lançador de paraquedistas, instrutor de vôo e vôo por instrumentos, todos disponíveis no Aeroclube de Londrina. Há ainda outra infinidade de cursos. ‘‘Para cada tipo de jato e de helicóptero, por exemplo, é um tipo de curso’’, comenta o diretor técnico do Aeroclube, José Máximo Sobrinho.
José Máximo e José Adauto ressaltam que todo aperfeiçoamento é importante, mas se a pessoa quer se profissionalizar não pode deixar de voar por instrumento. ‘‘Em condições de tempo ruim, não há visibilidade externa. O piloto tem que se orientar só pelos instrumentos do avião e que recebem os sinais de equipamentos que estão no solo.’’
‘‘O vôo visual também é seguro, desde que o piloto mantenha as determinações do vôo visual, previstas nas regras de tráfego aéreo’’, destaca José Adauto. Entre as regras, diz ele, estão previstas a que distância o piloto deve se manter da tempestade e a que altura. ‘‘A regra básica é desviar da tempestade e, se isso não for possível, retornar ao ponto de origem, nunca tentar atravessá-la. Sem instrumentos, não tem como o piloto saber o que vai encontrar pela frente. Se ele arriscar e passar pelo núcleo da tempestade, não tem como se salvar. Nem jato consegue passar.’’
A falta de instrumento é uma das prováveis causas do acidente que vitimou o empresário e piloto Abelardo Candeo Lopes e o co-piloto Rodrigo Scarabello, no último dia 13. Residentes em Londrina, eles viajavam do Mato Grosso para Goiás. O avião caiu em consequência de um temporal. ‘‘Nós não podemos dizer o que houve, mas se o piloto voasse por instrumento pode ser que o acidente fosse evitado’’, comenta José Adauto.
Os membros do Aeroclube de Londrina são cuidadosos ao comentar causas de acidentes aéreos, mas destacam que a experiência do piloto é importante para se sair de situações difíceis. Quanto às possíveis causas ocasionadas por falha mecânica, eles observam que a fiscalização é grande quando o assunto é manutenção das aeronaves. ‘‘O DAC (Departamento de Aviacão Civil) faz uma fiscalização rigorosa junto às oficinas e aos aviões’’, diz Adauto.
Eloir Ciro, proprietário de uma oficina de manutenção de aviões, em Londrina, concorda com Adauto. ‘‘Eles vêm constantemente e sem data prevista. Fiscalizam a qualificação da mão-de-obra, a biblioteca técnica, as ferramentas, aferições das ferramentas e os aviões que estão na oficina.’’ Em caso de não cumprimento das normas, a oficina pode ser fechada.
‘‘Desde pequeno sempre quis ser piloto. Agora estou começando a realizar meu grande sonho’’, diz Rodrigo Dott, 17 anos, que começou o curso de Piloto Privado, tido como o elementar. A família de Rodrigo mora em Itambacará (Norte Pioneiro). Ele acabou de concluir o 2º grau e agora só pensa na aviação. Para realizar o sonho, ele vai ficar no alojamento do Aeroclube durante toda a semana, para frequentar as aulas.
O risco de acidentes não assusta o aluno. ‘‘Acidentes podem acontecer a qualquer hora, no chão ou no ar’’, argumenta. Outro que deixou a família para aprimorar a profissão é Henrique Pim Neto, 25 anos, de Cuiabá (MT). Ele já tem o curso de Piloto Privado e agora faz parte da turma do curso de Piloto Comercial e Vôo por Instrumento.
‘‘Os acidentes são fatalidades. Acontecem de alguns pilotos não terem habilitação para vôo por instrumento, que é muito importante para quem quer seguir carreira e essencial para vôos quando o tempo está ruim’’, comenta Henrique Neto.

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