Warren NabucoVolta por cimaHelaine Herrero, em frente ao Centro de Vivência: atendimento gratuito para crianças especiaisDe uma tragédia ocorrida ano passado em Londrina, nasceu uma entidade que presta assistência a crianças e jovens carentes portadores de múltiplas deficiências (físicas e mentais). É o Centro de Vivência, Integração e Potencialidade (Vipe), criado há aproximadamente cinco meses por Helaine Cristina Herrero. Ela é mãe da menina Flávia Cristina Oliveira, de 8 anos, que morreu em agosto após cair do 5º andar do prédio onde morava, o residencial Lucílio de Held, na rua Gustavo Barroso, jardim Shangri-lá (zona oeste). A menina estava tentando passar da janela do seu quarto para a sacada, se desequilibrou e caiu.
O Centro está sendo construído pela Associação Flávia Cristina, que é presidida por Helaine Herrero, com ajuda de um grupo de profissionais da área de saúde que trabalha com ela em uma clínica. Localizado na rua João XXIII, 335, jardim Quebec, a obra está quase concluída - falta só o acabamento.
O Vipe vai dar atendimento gratuito nas áreas de educação especial, fisioterapia, odontologia, medicina, fonoaudiologia, assistência social e psicologia. As avaliações já começaram, avisa Helaine Herrero e, por enquanto, o atendimento está sendo feito de forma precária nas salas já concluídas. O Centro vai contar com seis salas de aula para atendimento da equipe multidisciplinar, além de recepção, cozinha, escritórios e banheiro.
A fisioterapeuta diz que, apesar da pouca divulgação, muitas mães estão se dirigindo ao Vipe, à procura de atendimento para os filhos deficientes. ‘‘Nós já estamos avaliando 20 crianças e há uma lista de espera de 14 crianças’’, comenta. Por enquanto, o trabalho do Centro está sendo feito por um grupo de voluntários. Mas logo a equipe deverá ser composta por uma coordenadora, dois professores especializados em educação especial, dentista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, assistente social, zeladora e merendeira.
Helaine Herrero explica que as crianças atendidas pelo Vipe permanecerão meio período no Centro, recebendo terapia e atendimento dos profissionais. A periodicidade semanal dos atendimentos vai depender de cada paciente. E as crianças também vão receber alimentação.
Ela comemora a rapidez com que o Centro está sendo construído. ‘‘Nós começamos a construção há cinco meses e já está quase pronto’’, diz. A obra foi erguida contando com doações de empresários, particulares e recursos dos membros da diretoria do Vipe.
Ela lembra que a Associação Flávia Cristina está regulamentada pela Prefeitura e é uma das beneficiadas pela lei do passe livre (que concede passe de ônibus gratuito para deficientes, crianças em situação especial e outros).
Para o término da obra e também para a manutenção do Vipe, a Associação Flávia Cristina está solicitando a contribuição da comunidade, através do doações em dinheiro, brinquedos, material escolar, etc. A presidente comenta que a maioria das famílias que procura o Vipe é bastante carente e muitos dos menores estão sem atendimento de um profissional de saúde. ‘‘Estamos recebendo crianças completamente deserdadas do mundo’’, afirma. ‘‘As pessoas precisam entender que a criança com deficiência tem potencial para ser desenvolvido’’.
‘‘Eu não colocaria o nome da minha filha se o nosso trabalho não fosse sério’’, ressalta a fisioterapeuta. ‘‘Quando nós passamos por um grande drama ou perda, começamos a encarar a vida por outro aspecto. Só levamos para a outra vida o que fazemos aqui pelos outros’’.
Ela conta que a inspiração para desenvolver o trabalho assistencial veio de um bilhete escrito pela filha antes de morrer, mas que só foi encontrado depois, quando Helaine arrumava as coisas que pertenciam à Flávia Cristina. No bilhete, a menina, então com sete anos, escreveu: ‘‘Porta fecha. Porta abre. Obrigada para todos’’.
‘‘Ela só falava em amor. Era ligada aos animais, aos idosos’’, lembra a mãe. ‘‘Espero que a sementinha que minha filha deixou dê muitos bons frutos.’’ Há várias maneiras de ajudar a Associação Flávia Cristina, diz Helaine Herrero. Os interessados podem depositar qualquer quantia na agência 390, conta 48733, do Banestado. Também podem aderir a uma das campanhas promovidas pela associação. Atualmente, a entidade está vendendo potes de sorvetes de um litro, cuja renda será revertida para a instituição. Os interessados poderão comprar o tíquete, a R$ 3,50, na rua Jonatas Serrano, 39, jardim Quebec.
O telefone do Vipe é 328-0724. Helaine Herrero convida a comunidade não apenas a ajudar o Centro, mas também a conhecer o local e o trabalho que o grupo se propõe a desenvolver.

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