Tragédia na ponte de ferro
As três pontes originais do sub-ramal foram substituídas na década de 40, pelas de ferro, a do Rio Pinhalão concluída em 14 de fevereiro de 1947. Nesse dia, às 16 horas, operários e engenheiros - seriam 20 ou 30 pessoas - deram início a uma ruidosa comemoração, com muita cerveja e completo desrespeito à comunidade; alguns só de cueca, dando ''vivas à Rússia e Stalin''.
Consequência: um tiroteio, que começou na rua e terminou dentro do bar de Arnaldo Wahl. O delegado do distrito, Ramiro Fraiz Martine, fora agredido e vendo-o desmaiado, Arnaldo tentou conter a turba e disparou um revólver. Baseando-se em laudo da polícia técnica, o delegado especial Levy Lima Lopes concluiu, em 16 de setembro, que Arnaldo matou o operário João Hreczniuk e feriu os engenheiros Rozólio de Azevedo e Roberto Saraiva, o médico Gabriel Osório de Almeida e o operário Francisco Alípio dos Santos.
Arnaldo morreu de infarto, segundo o relato de contemporâneos à FOLHA, em 1981. Após o tiroteio, os moradores abandonaram Pinhalão, temendo represálias. Na manhã seguinte, o delegado de Jaguariaíva, capitão Rodrigues, comandando 15 policiais militares, impôs a ordem.
Já não existem as pontes de ferro, demolidas pela RFFSA, e no Rio Pinhalão a passagem voltou a ser de madeira. Levando ferramentas em carrinho de mão, Alaíde Correia recorda que era moleque quando passou de trem por ali, fazendo alarido junto com os amigos. ''Comportem-se ou descerão na próxima estação'', implicava o chefe do trem. ''A gente não ligava, porque ia descer mesmo em Tomazina.'' (W.S.)





