O drama da empregada doméstica desempregada Taglinaete Souza, 31 anos, presa em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, na última quarta-feira, depois de uma tentativa frustrada de suicídio, sensibilizou até os órgãos que deveriam puní-la pelo crime. Hoje, o Ministério Público de Londrina deve recomendar o relaxamento da prisão, proposto pelo advogado Hamilton Laertes de Araújo. A empregada tem um tumor maligno no cérebro.
O advogado também sensibilizou colegas e conseguiu com que o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) destacasse uma policial feminina para acompanhá-la até sua cidade natal, Parnamirim (PE), quando ela ganhar a liberdade. Além disso, um vereador também conseguiu que uma assistente social a ajude na viagem. E todos estão se mobilizando para conseguir o dinheiro para as passagens. ''O que ela precisa não é cadeia mas de amor e de sua família'', apontou o advogado.
A vida de Taglinaete nunca foi fácil. Sem emprego em sua cidade natal, decidiu buscar uma oportunidade de trabalho em Londrina. Na cidade há dois anos e meio, arrumou uma colocação em uma casa de família onde, por mais de um ano, cuidava dos afazeres domésticos e de uma adolescente excepcional. As coisas começavam a melhorar, quando, há cerca de três meses, descobriu o tumor no cérebro. Começou a se tratar no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário de Londrina. Depois de ser informada que, em seu caso, uma cirurgia a deixaria cega e surda, abandonou o emprego e, desesperada, estava decidida a acabar com a própria vida.
Por volta das 18 horas da última quarta-feira, Taglinaete saiu de casa e foi até o Zerão (Área Central). ''Comprei uma pistola e oito balas. Bebi bastante, desci uma escadinha e apertei o gatilho'', contou. A arma, porém, não funcionou. Um policial militar que passava pelo local rendeu a empregada e tomou-lhe a pistola.
Levada à delegacia, o delegado de plantão Airton Simplício dos Santos se disse ''constrangindo'' em realizar a prisão, mas o crime de posse ilegal de arma de fogo é inafiançável. ''Se coubesse fiança, eu mesmo teria pago. Mas fui obrigado, por dever de ofício, a lavrar o flagrante'', confessou. O próprio PM que realizou a prisão também se dispôs ajudar. Comovido, o delegado contatou Araújo para assessorá-la.
Taglianete ainda está no 3º Distrito Policial, alojada em uma ala onde as outras presas possam cuidar dela. Sofrendo com dores intensas e com a dificuldade de audição, a empregada está desesperada para rever a família. As outras presas dizem que as dores aumentam por causa do barulho da carceragem. ''Ela só chora'', contou uma companheira de cela.

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