A dependência das drogas e o consequente envolvimento com traficantes para manutenção do vício são a maior causa de ameaça à vida dos atendidos pelo Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte (PPCAAM). Conforme informações da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, 60% dos jovens encaminhados ao serviço tinham relação com o tráfico.
Mapeamento divulgado pelo órgão revela também que 45% das mortes nessa faixa etária correspondem a homicídios, com risco 12 vezes maior para homens e 2,6 vezes mais probabilidade de negros serem assassinados. Esse diagnóstico, de acordo com o diretor nacional de Defesa dos Direitos Humanos, Fernando Matos, justificou a criação do programa.
Em Londrina, o PPCAAM funciona há seis meses e, no período, encaminhou nove adolescentes ameaçados. O promotor da Infância e Juventude do Município, Márcio Luís Bergantini, reforçou que a grande maioria tem envolvimento com drogas. ''São usuários envolvidos com o tráfico por conta da dependência'', disse.
A exemplo do Provita, a inclusão impõe necessidade de mudança do adolescente e até da família para outra cidade. ''Por isso, antes de decidir, avaliamos o tipo de ameaça, o alcance e o que foi feito para cessá-la'', explicou. A partir do afastamento do local do problema, o adolescente passa a ter acompanhamento que inclui a inserção em programas para livrar-se da dependência das drogas. ''Tivemos dois casos de fuga. Entre os outros atendidos, está funcionando'', avaliou o promotor.
Para ele, o PPCAAM trouxe benefícios não só aos adolescentes, mas também aos profissionais que lidam com o problema. ''Antes, não tínhamos alternativas de encaminhamento, o que gerava uma sensação de incapacidade. Hoje, apresentamos uma solução aos ameaçados'', analisou. (C.A.)

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