Tráfico e prostituição assustam motoristas
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sexta-feira, 05 de junho de 2009
Carolina Avansini<br>Equipe da Folha 
Londrina - Os vidros do carro fechados e a velocidade reduzida antes de chegar ao semáforo revelam o medo dos motoristas no cruzamento de algumas ruas e avenidas de Londrina. A prostituição e o tráfico de drogas ocupam calçadas, utilizadas também por pedintes -muitas vezes dependentes químicos- que abordam os veículos em busca de dinheiro rápido. O movimento maior é à noite. Em alguns locais, porém, os riscos permanecem quando chega o dia.
O cruzamento da Rua Ouro Preto com a Aveninda Leste-Oeste, na Área Central, é um dos mais conhecidos pontos de tráfico e uso de drogas da região. "Depois das 6 horas da tarde fica complicado passar. Além dos pedintes, as prostitutas também abordam os motoristas", contou o mecânico
Dalton Rafaeli, que mora em um edifício próximo e transita pela Ouro Preto diariamente.
Uma comerciante dos arredores que não quis se identificar afirmou que o local é perigoso durante todo o dia. "Nossa segurança é bem reforçada, mas aconteceu de perdermos clientes que têm medo de estacionar por aqui."
Outro ponto crítico citado por motoristas ouvidos pela reportagem é o sinaleiro que fica em frente ao Shopping Comtour, na Avenida Tiradentes (Zona Oeste). "As abordagens dos carros são frequentes, inclusive por asssaltantes armados", disse o taxista Marcos Calero, que trabalha no local e também já presenciou assaltos durante o dia às pessoas que esperam ônibus.
Segundo ele, todos os semáforos da avenida oferecem riscos semelhantes, assim como algumas esquinas da Avenida Leste-Oeste. Próximo ao ponto de táxi onde trabalha, outro chamariz para os assaltantes seriam as várias agências bancárias da região. "Os taxistas cansam de presenciar roubo de malotes. Mas não denunciamos por medo de represálias", afirmou.
Considerado um dos locais mais perigosos para motoristas e pedestres desavisados anos atrás, o cruzamento entre as avenidas Brasília e do Sol, próximo ao Jardim Leonor (Zona Oeste), já não assusta como antes. O comerciante Flavio Ono mantém em seu estabelecimento um sistema de segurança com porta eletrônica e alarme instalados na época dos assaltos frequentes, mas reconhece que o excesso de zelo já não é mais necessário.
Um outro comerciante que não quis se identificar atribuiu o atual "sossego" a um possível acordo entre as gangues que atuam no tráfico de drogas na região. "Tem uma ordem para que a paz seja mantida no bairro". disse.
O tenente Ricardo Eguedis, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) reconhece que os pontos visitados pela reportagem são áreas onde há "degradação por uso de drogas e prostituição". Segundo ele, a polícia faz abordagens recorrentes nesses lugares e encaminha todas as pessoas localizadas com drogas ou comentendo crimes para as providências cabíveis.
Ele lembrou, entretanto, que os problemas enfrentados nessas regiões são relacionados ao uso de drogas, por isso a solução dependeria do encaminhamento dos dependentes para instituições especializadas no tratamento do vício. "A cidade não tem um local para tratar essas pessoas. É também uma questão de saúde pública", considerou. Eguedis citou ainda a culpa da sociedade na manutenção do tráfico. Segundo ele, a população reclama dos usuários que ficam nas ruas, mas não questiona a postura do "vizinho que fuma maconha" ou dos homens que pagam às prostitutas por programas, dando-lhes condições de consumir produtos entorpecentes.


