Tráfico e gangues: dois vilões da juventude
O envolvimento com o uso e tráfico de drogas e a ligação com gangues são as principais vias de acesso do adolescente ao mundo do crime. Sem envolver a família, especialistas afirmam não ser possível combater a criminalidade juvenil.
De acordo com as assistentes sociais Jaqueline Micali e Ana Lúcia Conde, que atendem adolescentes infratores, as gangues já se estruturam praticamente em toda as regiões da cidade. As gangues são perigosas, segundo as assistentes, porque criam um ciclo de violência em que a vingança acaba fazendo inúmeras vítimas. Quando há uma ''baixa'' de um membro de uma gangue, a ''vítima'' busca se vingar a qualquer preço.
Elas citam o exemplo de gangues rivais do Jardim Nossa Senhora da Paz, Rua Pantanal e Jardim Leste-Oeste, todos na Zona Oeste. Por causa da proximidade entre essas comunidades, muitos dos meninos eram amigos na infância. Na adolescência, acabaram se desentendendo e se transformaram em inimigos mortais.
''Estamos pensando formas de como quebrar esse ciclo de violência das gangues'', apontam, revelando que uma das alternativas é envolver as famílias nesse trabalho. As assistentes avaliam que este trabalho é difícil mas é possível porque o número de adolescentes envolvidos ainda é pequeno. ''Os líderes desses grupos fortes não chegam a 50 adolescentes, que são os mais violentos'', estimam.
E como geralmente quem faz parte desses grupos são usuários de drogas, eles são facilmente aliciados por traficantes que atuam em seus bairros. As polícias, tanto Civil quanto Militar, atestam que a grante maioria dos adolescentes que cometem crimes tem algum tipo de ligação com o tráfico.
Buscando a prevenção, o 5º Batalhão da Polícia Militar ressalta que também atua nessa frente com o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e o ''Cidadão Mirim''. Segundo a relações públicas da corporação, tenente Roberta Mildemberger Reina, apenas o primeiro programa atendeu 12 mil alunos, de 9 a 11 anos, que receberam noções de cidadania, prevenção às drogas e à violência. O Cidadão Mirim trabalha em duas comunidades Vila Recreio e Santa Fé com crianças de 7 a 13 anos em situação de risco.





