O tráfico e o uso de drogas estão generalizados nas escolas públicas e particulares de Londrina, atingindo crianças e adolescentes de todas as classes sociais. Apesar da gravidade da questão, professores, diretores, policiais, juízes e promotores consideram a situação ainda controlável. Mas, unanimemente, enfatizam a necessidade de mobilização de toda a sociedade para combater o problema das drogas, assim como do tabaco e do álcool, especialmente entre jovens e crianças.
Apenas dois professores autorizaram revelar seus nomes à reportagem da Folha - Luís Vargas Prudêncio, diretor do Colégio Estadual Newton Guimarães, e Vera Maria de Camargo Akaishi, diretora do Colégio Estadual Vicente Rijo. As duas escolas são de 1º e 2º graus e ficam na área central de Londrina. Os diretores concordam: se providências não forem tomadas rapidamente, há risco de Londrina sofrer os mesmos problemas de São Paulo e outros grandes centros urbanos.
A constatação preocupa a todos: pais, professores, orientadores pedagógicos, diretores de escolas, Núcleo Regional de Ensino, polícias Militar, Civil e Federal, juízes e promotores da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar. Nas últimas semanas houve várias reuniões entre esses segmentos para discutir ações de combate - repressoras e preventivas - ao tráfico e ao consumo de drogas.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, major Ademir Costa, destacou em seu discurso de posse, no início do mês, a intenção de criar uma Patrulha Escolar. A PM escalaria 40 policiais, em 10 veículos, para fazer rondas pelos portões e arredores das 265 escolas da Cidade.
Para os diretores, há tráfico nas escolas porque ele está disseminado na sociedade. Eles lembram que as escolas não são ilhas isoladas. Mas os educadores constatam que a maioria dos casos vem de famílias desajustadas, algumas formadas por viciados e até por traficantes. ‘‘Há exceções, mas a regra geral é que os usuários sejam filhos de pais separados, ausentes, violentos entre si e com os próprios filhos. Tenho observado falta de carinho e afeto entre pais e filhos. Muitos pais trazem os filhos à escola de carrão, mas sequer olham para a cara deles na despedida. As crianças descem e os pais saem apressados’’, diz o diretor Luiz Vargas Prudêncio. ‘‘Em outros casos, os pais têm tanta preocupação que sufocam os filhos. Quando vêm para a escola, as crianças se sentem livres e alteram o comportamento, se abrindo, inclusive, para as drogas e o álcool.’’
A psiquiatra Sandra Vargas Nunes desenvolve cursos de orientação aos professores da rede estadual para prevenção contra uso de drogas, fumo, álcool e sexo sem prevenção. Para ela, o tráfico e consumo de drogas em escolas sempre existiram e vão continuar existindo. ‘‘O que devemos fazer é desenvolver programas contínuos de conscientização sobre a melhoria da qualidade de vida e os danos físicos e morais do uso de drogas’’, diz a psiquiatra. ‘‘O desenvolvimento do espírito crítico e a promoção da auto-estima e do amor próprio podem reduzir a zero os riscos de envolvimento dos menores com drogas, tabaco, álcool e sexo sem prevenção.’’

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