Ney de SouzaEscravidãoA adolescente C.F., de 13 anos, resgatada de um
prostíbulo em Paraguai vai dar informações aos deputadosDeputados federais, que fazem parte de uma Comissão Especial criada na Câmara dos Deputados, desembarcam hoje em Foz do Iguaçu - na fronteira entre Brasil e Paraguai - para uma nova etapa de investigações sobre denúncias de prostituição infantil, escravidão e tráfico de menores brasileiras para o Paraguai. Eles pretendem resgatar adolescentes que estão no país vizinho e são obrigadas a fazer programas.
No encontro, os deputados pretendem obter novas informações com a ajuda de meninas que foram forçadas a se prostituir no Paraguai. ‘‘As meninas sempre recebiam propostas de trabalho digno em território paraguaio. Porém, elas ficavam encarceradas e obrigadas a fazer programas’’, afirma a presidente da Comissão, deputada Dalila Figueiredo (PSDB-SP), que já esteve na fronteira para investigar o tráfico de adolescenetes.
Hoje, os deputados se reúnem com o Fórum Permanente de Combate à Prostituição - órgão criado por autoridades brasileiras e paraguaias da fronteira para combater a prostitutição infantil. A comissão quer saber quais foram os avanços na execução das propostas elaboradas desde o último encontro.
O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), vai apresentar um decreto assinado na sexta-feira proibindo e estabelecendo punições aos donos de hotéis e boates que abrigam crianças e adolescentes desacompanhadas de pais ou responsáveis em seus estabelecimentos. Essas boates e hotéis do centro da cidade são os maiores focos da prostituição infantil em Foz do Iguaçu.
Depoimentos Na mesma reunião, os parlamentares também devem ouvir depoimentos de familiares e de duas meninas que foram resgatadas pelo Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu após denúncia de tráfico e prostituição. A adolescente C.F.., de 13 anos, resgatada pelo CDH na região de Santa Rita (a 180 quilômetros da fronteira entre os dois países) deverá dar mais detalhes do local onde ficou presa.
Outro depoimento será da família de D.B., de 14 anos, encontrada morta na região de Naranjal (a 80 quilômetros da fronteira) depois de ser obrigada a fazer programa com um cliente. As meninas denunciam que ficam presas e são vigiadas por policiais nacionais do Paraguai que fazem ‘‘bico’’ nos prostíbulos. ‘‘Eles gostam de sair com mulheres brasileiras. Ainda mais, se elas forem novinhas’’, disse C.F. ao ser resgatada.
Nos três dias de investigações, os membros do Fórum e da Comissão pretendem elaborar um cronograma de visitas aos ‘‘quilombos’’ (locais onde mulheres são prostituídas no Paraguai). Por enquanto, a comissão não quer divulgar os pontos de visitas porque teme que, com o anúncio dos locais, os donos dos estabelecimentos podem promover uma ‘‘limpeza’’, o que evitaria novos resgates. O Fórum e a Comissão querem firmar acordo para receber denúncias e resgatar as meninas que estiverem sendo obrigadas a se prostituir em cidades paraguaias.

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