Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O aumento do tráfico de animais silvestres no Paraná, que ocorre na primavera e no verão, está preocupando os ambientalistas. ‘‘Nesta época do ano a maioria das espécies de aves está se reproduzindo e fica mais vulnerável em seus ninhos’’, alerta a diretora de Desenvolvimento da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Cláudia Belfort. A rede nacional contra o tráfico de animais silvestres (Renctas) calcula que o comércio ilegal da fauna movimente aproximadamente US$ 1 bilhão por ano no Brasil.
A diretora da SPVS informa que o tráfico é maior nas regiões do Parque Nacional do Iguaçu (no extremo oeste do Estado), da reserva indígena de Mangueirinha (no Sudoeste) e em todo litoral. No dia 15 de janeiro, relembra Cláudia, graças a uma denúncia da SPVS duas pessoas foram presas em flagrante quando tentavam vender três filhotes do papagaio-de-cara-roxa (Amazona braziliensis) no mercado municipal de Paranaguá. ‘‘A ação destas pessoas é frequente, impulsionada pelos turistas que vão ao litoral e querem levar animais em extinção para servir de bibelôs vivos dentro das casas deles’’, critica.
Desde 89 o papagaio-de-cara-roxa faz parte da lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção. Estima-se que existam 4,5 mil dessas aves vivendo no trecho da Floresta Atlântica entre o Sul de São Paulo e o extremo norte de Santa Catarina. A maior concentração da espécie está em Guaraqueçaba, principalmente na Ilha Rasa, no litoral do Paraná, onde vivem 3 mil aves. Em 98 os técnicos da SPVS encontraram três ninhos da espécie e, no ano passado, 18. O papagaio-de-cara-roxa é a terceira espécie do gênero Amazona mais ameaçada do mundo.
‘‘Em Paranaguá você não precisa conversar com mais de duas pessoas para conseguir comprar um papagaio-de-cara-roxa filhote ou adulto’’, revela Cláudia. A ave, explica, costuma construir os ninhos em buracos (ocos) de árvores, que podem atingir mais de 2 metros. ‘‘Como os papagaios, durante a vida adulta, usam sempre o mesmo lugar para acasalar-se (são monogâmicos) fica fácil para as pessoas marcarem os ninhos.’’
Ela assegura que de cada dez filhotes capturados, nove acabam morrendo antes de chegar ao destino final. A principal causa da morte é a forma como são transportados, em caixas de madeira ou papel e até em canos de PVC. ‘‘Alguns traficantes chegam a dar tranquilizantes para que eles não façam barulho durante uma viagem.’’ Um filhote, segundo Cláudia, é vendido por até R$ 400,00 e um papagaio-de-cara-roxa adulto por R$ 1 mil.
No ano passado a SPVS criou uma campanha de adoção simbólica dos papagaios para ajudar na preservação da espécie. Até o momento a entidade conseguiu arrecadar R$ 5 mil. O dinheiro mantém a equipe de seis pessoas, entre técnicos, biólogo e veterinário, que permanentemente estão monitorando a vida dos papagaios-de-cara-roxa que ainda vivem no litoral paranaense. Cláudia Belfot critica o combate ao tráfico realizado pelo Batalhão de Polícia Florestal, responsável por quase todo o serviço de fiscalização ambiental do Estado: ‘‘a fiscalização deveria ser mais rigorosa.’’

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