Tráfico atua sem repressão
A Global Infância, uma organização não governamental (ONG) do Paraguai, está preocupada com o tráfico de crianças nos países da América Latina. A diretora da entidade, Rosa Maria Ortiz, alerta para a existência de tráfico de bebês nascidos no Paraguai, Argentina e Brasil para vários países do mundo. Segundo ela, essas crianças passam sempre pelas fronteiras sem nenhum embaraço.
A entidade não tem estatística do tráfico de bebês, mas tem estudos que constatam que os países europeus registram taxa de nascimento quase zero, enquanto países subdesenvolvidos da América Latina aumentaram o envio de crianças para esses países. A falta de recursos para criar os filhos nos países do Cone Sul se casa com o desejo dos europeus de adotar crianças. Ela alerta que a população dos países europeus não está crescendo e isso faz com que quadrilhas especializadas no tráfico de bebês procurem a América Latina.
A Global tem como exemplo a Itália, onde a adoção de uma criança é disputada por até 100 famílias. Segundo Rosa, no Paraguai existem quadrilhas especializadas que envolvem médicos, enfermeiras, advogados e até investigadores particulares que descobrem mulheres grávidas sem condições de sustentar os filhos. Ela diz que as quadrilhas pagam até US$ 30 mil por um bebê. Os países pobres sofrem as influências dessas quadrilhas. O que mais choca é que os países latinos têm legislação que facilita a atuação de traficantes de crianças, afirma.
Com esse alerta, o Paraguai suspendeu as adoções. Até o ano de 93, o país vizinho autorizava a adoção de até 600 crianças para o exterior. No ano passado, foram autorizados apenas 107 casos.





