''Traficantes são muitos. E eu uma só''
Na luta para livrar o garoto das drogas, S. já passou com ele por várias instituições e entidades. Nos últimos dois anos, quem acompanha o drama da família de perto é a psicóloga Camila Menezes Zulian, do Projeto Murialdo, que cuida da aplicação de medidas sócio-educativas para adolescentes que cometem atos infracionais. Para Camila, a única esperança para o garoto é o internamento. ''Ele precisa ser afastado da droga e ter tempo para perceber como é a vida sem ela. Ele já tentou parar várias vezes mas não conseguiu''.
S. concorda com a psicóloga e explica: ''Os traficantes e marginais que fornecem a droga para o meu filho são muitos; eu sou uma só, estou sozinha para lutar por ele''. Segundo a mãe e a psicóloga, R. está pronto para receber ajuda: ''Ele tem vontade de parar e às vezes fica até uma semana sem a droga. Foi ele quem me pediu para interná-lo. Ele tem medo de morrer'', disse a mãe.
Ela já tentou internar o filho em todas as entidades que recuperam adolescentes viciados em Londrina. São apenas cinco locais, todas ligados à igrejas evangélicas e católicas. Há também uma clínica particular, mas o preço da diária de R$ 90 a R$ 140 torna a alternativa inacessível para pessoas como S. Num dos poucos locais que aceitam adolescentes internados, ela não encontrou vaga. ''Eu sinto que estou perdendo meu filho. Meu tempo está acabando e não sei mais o que fazer para ajudá-lo. Talvez quando aparecer uma vaga pode ser tarde demais'', concluiu.





