Londrina - Ontem foi o fim da linha para uma quadrilha internacional de cocaína que tinha a região da fronteira de Foz do Iguaçu como base operacional e que, somente neste ano, teria movimentado cerca de US$ 3 milhões. Após 11 meses de investigação, a Delegacia da Polícia Federal de Foz deflagrou ontem a "Operação Spectro", que resultou na prisão de 17 envolvidos, de nacionalidades diversas, e mais 13 mandados de busca e apreensão. Alguns membros do grupo atuavam de dentro de presídios, usando telefones celulares.
De acordo com o delegado federal responsável pela operação, Marcos Paulo Pimentel, a cocaína pura era adquirida na Bolívia e trazida até Ciudad del Este, no Paraguai, onde era acondicionada em porções pequenas. Os carregamentos enviados para fora do País seguiam principalmente por via áerea e eram ocultados de variadas formas.
Pimentel exemplificou que o último flagrante contra um membro da organização foi realizado na quinta-feira à noite, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Um homem de 64 anos que pretendia embarcar para Dubai transportava 750 gramas de cocaína nas palmilhas do par de tênis que calçava. Além disso, a droga era traficada em fundos falsos de malas de viagem, em cápsulas ingeridas por "mulas", e até em embalagens de pão sírio. Já no tráfico doméstico -Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e São Paulo-, a droga era escondida em veículos pequenos. "Era uma quadrilha bastante atuante no País", considerou o delegado.
A quadrilha tinha tentáculos em vários países: Chipre, Romênia, França, Espanha, Holanda, Itália, Paraguai, Colômbia, Venezuela, El Salvador, Bolívia, Antilhas Holandesas, Guatemala, Dubai, Síria, Jordânia, Líbano, Egito, Costa do Marfim e Nigéria. Para ocultar a verdadeira origem de seus bens, os traficantes investiam em comércios de fachada como lanchonetes, lojas de eletrônicos no Paraguai e salões de beleza. Dos 24 mandados de prisão expedidos, 17 foram cumpridos ontem. Os demais suspeitos teriam conseguido fugir do País e continuam sendo procurados. Além disso, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Foz, Cascavel e Curitiba e em prisões do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.

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