Assim como já acontece com contrabandistas de mercadorias paraguaias, os traficantes de drogas também estão mudando seus ‘‘modus operandi’’. Como a possibilidade dos patrulheiros rodoviários abordarem caminhões é grande, as quadrilhas se adaptaram e passaram a rechear veículos menores com quantidades cada vez maiores de entorpecentes, principalmente cocaína e crack. Esta tendência ficou evidente com os dois flagrantes realizados por policiais militares rodoviários esta semana no Norte do Estado, que resultaram na apreensão de mais de 50 kg de cocaína pura, mais do que todo o volume acumulado no ano.
  Na noite de anteontem, a Polícia Rodoviária de Rolândia apreendeu 22,15 kg da droga que estavam sendo transportados em um compartimento secreto dentro do tanque de combustíveis de um Santana com placas de Trindade (GO). Segundo a Polícia, o condutor Silvano Cardoso da Silva, 30 anos, teria ficado nervoso ao ser abordado durante uma fiscalização e despertou suspeitas. Ao realizarem uma busca no veículo, os policiais encontraram a cocaína. Ele foi autuado por tráfico internacional de drogas e encaminhado para a Polícia Federal em Londrina.
  Na segunda-feira, em outra ação da Polícia Militar Rodoviária entre Andirá e Cambará, foi preso o argentino Luiz Alberto Meneses, de 75 anos. O ‘‘vovô’’ traficante transportava 29 kg de cocaína em um fundo falso sob o painel e nas laterais de um carro com placas argentinas.
  Os dois flagrantes não foram uma simples coincidência, atestou o sargento Adalberto Alves da Silva, da 2ªCompanhia da Polícia Militar Rodoviária. ‘‘A gente percebe que o tipo de droga e veículo usado pelas quadrilhas mudaram’’, continuou o oficial, apontando que até há alguns anos o mais comum eram as grandes apreensões, principalmente de maconha, em caminhões. Agora, os traficantes têm optado por cocaína ou crack, que são drogas mais rentáveis, usando carros pequenos.
  Silva comentou que uma das explicações possíveis pode ser a menor probabilidade dos carros de passeio serem abordados nas rodovias em comparação com os caminhões, que circulam em menor número. Outra mudança foi a ‘‘capacitação’’ das quadrilhas para conseguir usar todos os compartimentos vazios dos carros leves, inclusive tanque de combustível. ‘‘Estas adaptações são feitas por pessoas altamente qualificadas, porque o risco de explosão é muito alto’’, observou.
  Por fim, o policial apontou que as apreensões também são fruto da intensificação da fiscalização feita nas estradas paranaenses pela Polícia Militar Rodoviária. ‘‘Nosso batalhão tem por dever fiscalizar todo e qualquer tipo de veículo, mas intensificamos nossa ação em relação aos veículos de passeio’’, concluiu.

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