A disputa por pontos de droga nos jardins Interlagos e Marabá (região leste de Londrina) está apavorando a população a ponto de obrigá-la a mudar sua rotina. O medo dos moradores é receber uma bala perdida nos constantes tiroteiros entre as gangues.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do Interlagos, Armando Paulo Porto Alegre, os disparos acontecem a qualquer hora do dia e da noite e nem a presença dos promotores de justiça intimida os traficantes. ‘‘Há duas semanas, estávamos reunidos na sede da Associação à noite quando um menino de oito anos entrou com um revólver na cintura logo após um tiroteio. A intranquilidade é geral. Já recebi uma ameça de morte por estar denunciando o problema’’, disse Armando que é proprietário de um bar na região.
A maioria dos moradores diz que não conhece os autores dos disparos e nem procura saber. Aqueles que sabem têm medo de falar. ‘‘A Polícia Militar já foi acionada, mas os traficantes são muito ousados. Eles não hesitam em mostrar suas escopetas e metralhadoras. Com essa desvantagem como é que a Polícia vai vencer?’’, questionou Alegre.
Para a dona de casa Ilma Viana Gaspar, a presença da Polícia Militar na região é muito pequena e isso aumenta a tensão dos moradores. Apesar de não ser regra, muitos deles trancam a casa mais cedo depois que a noite cai. ‘‘Antes mantinha o bar aberto até às 23 horas. Hoje, fecho as portas por volta das 20h30’’, disse a comerciante Maria Aparecida Moreira ao declarar sua vontade de mudar de bairro.
Ambas moram no Jardim Interlagos há cerca de 25 anos e afirmam que a violência surgiu com a favela e o assentamento do Jardim Marabá. Segundo elas, três rapazes foram feridos por balas perdidas num dos frequentes tiroteios no começo do mês. ‘‘Só saio à noite quando é extremamente necessário. Já pedi para minha filha diminuir o número de passeios porque o risco de morte aqui é muito grande’’, comentou Ilma. Sua irmã Lúcia Helena Viana Pereira, disse que o mato alto às margens da linha férrea serve de esconderijo para os traficantes.
O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, já sentiu ‘na pele’ o drama dos Jardins Interlagos e Marabá. Todas as quintas-feiras, um promotor acompanhado por estagiários de direito e serviço social oferecem atendimento à população nas quatro regiões da cidade. De acordo com ele, a zona leste e a oeste têm apresentado os maiores índices de criminalidade em Londrina. Para Tavares, esse é mais um motivo para o Programa Promotoria das Comunidades continuar em atividade. ‘‘Isso já se tornou uma questão de honra. Já pedimos reforço à Polícia e acredito que ela fará o possível para proteger os moradores’’, opinou.
O capitão Ednir Edson da Cruz, subcomandante do 5º Batalhão, diz que a corporação vem fazendo seu trabalho e que os arrastões diários têm demonstrado bons resultados em toda cidade. ‘‘Temos uma viatura com dois policiais fiscalizando a região leste dia e noite. O problema é que a área é muito grande e por isso as pessoas não a vêem com tanta frequência’’, explicou.
Descrente nas justificativas policiais, a dona de casa Ilma afirma que as autoridades só se preocuparão de fato quando algo de muito grave acontecer.

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