Marcos NegriniRisco permanenteVeículos pequenos fazem ultrapassagem em local não permitido para fugir do movimento constante A morte da estudante Luzia Jocieli Godoi, 12 anos, atropelada ontem por um caminhão na saída de Paiçandu (10 quilômetros de Maringá), mobiliza mais uma vez a cidade na cobrança da duplicação da PR-323. O trecho, de sete quilômetros, recebia no final do ano passado uma média de 800 veículos por hora. ‘‘Hoje o movimento é bem maior’’, calcula o prefeito Jonas Lima (PTB).
A contagem de veículos foi feita em agosto do ano passado, para um documento encaminhado ao governo Estadual cobrando a duplicação do trecho. Lima afirma que agora o número de veículos que passam entre Paiçandu e Maringá é pelo menos 20% maior. Apenas os ônibus do transporte coletivo entre as duas cidades fazem o trajeto 240 vezes por dia, transportando 10 mil pessoas no mesmo período.
Em horários de maior movimento, segundo o prefeito, é preciso de pelo menos 40 minutos para percorrer o trecho de sete quilômetros. ‘‘O normal seria 10 minutos’’, calcula ele. Lima diz ainda que com a abertura da ponte entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, a tendência é do tráfego de veículos pesados crescer ainda mais. ‘‘O trecho vai reduzir a distância em cerca de 200 quilômetros entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia para São Paulo’’. O prefeito diz que está cobrando do governo Estadual pelo menos a pavimentação da terceira faixa, o que melhoraria o tráfego de veículos leves. Hoje os carros são obrigados a seguir atrás dos caminhões ou fazer ultrapassagens em locais não permitidos. ‘‘A duplicação do trecho já está no orçamento do Estado para este ano, mas nem o projeto foi elaborado pela Secretaria dos Transportes’’, afirma.
Para os organizadores do manifesto que reuniu mais de 1.500 pessoas em agosto do ano passado, no trecho urbano de Paiçandu da PR-323, falta empenho dos políticos. O comerciante João Caraçato, um dos organizadores do movimento, explica que pelo menos 60% dos 27 mil habitantes de Paiçandu trabalha em Maringá. ‘‘Do jeito que está a rodovia só coloca em risco a vida das pessoas.’’

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