Na inauguração, em 20 de julho de 1950, a então Estação Ferroviária de Londrina certamente recebeu baforadas fuliginosas de uma maria-fumaça, a locomotiva a vapor queimando lenha. E suportaria o trepidar dos trens, até que fossem desviados do Centro. Passados 61 anos, hoje abrigando o Museu Histórico, o prédio resistirá, por muito tempo ainda, ao peso e à poluição dos milhares de automotores transitando ao redor?
A degradação ''parece invisível'', mas já ocorre, afirma Helenice Mortari Dequêch, colaboradora voluntária dos Museus e que se dedica à organização de acervos históricos de empresas e instituições. Sua observação está no conjunto de uma apreciação mais ampla, preocupada com todas as edificações que, a seu ver, justificam a definição de um centro histórico sem o tráfego intenso de veículos.
Helenice supõe que o Museu Histórico tenha a estrutura afetada diretamente pelo movimento no Terminal de Transporte Coletivo Urbano, ao lado, enquanto o Museu de Arte está, evidentemente, sob impacto do tráfego muito intenso na Rua Sergipe, engrossado pelos ônibus. Afirma que a integração de linhas, pela tarifa única, já é possível sem os ônibus passarem pelo terminal, daí ter sugerido à administração municipal que o transfira ou desative. Mas, em se ''tirando a parte de cima, já não fará impacto'', presume.
Discordando, a diretora do Museu Histórico, Angelita Marques Visalli, disse que não se percebe nenhum indício de interferência do terminal no Museu, e já conversou com Helenice a respeito. Uma infiltração e uma rachadura ocorreram em parte de gesso colocada 15 anos atrás, segundo Angelita. ''Coisa natural, que não preocupa, nada visível.''
Sobre a proposta de uma readequação no Centro, levando em conta o patrimônio histórico e cultural, Angelita lembra ter apresentado uma sugestão ao prefeito, quando ele visitou o Museu após assumir a administração. ''Pensar o Centro como espaço cultural caberia um pouco mais de atenção nesse sentido'', segundo ela. Quando muito se fala em turismo, seja qual for o contexto de uma iniciativa no Centro, há que se proporcionar ''um novo espaço para a circulação de pedestres'', levando-se em conta a intensidade do trânsito de veículos, segundo o entendimento da diretora do Museu.

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