O recape asfáltico realizado recentemente pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em 500 metros da marginal da PR-445, após da reclamação de moradores do Conjunto das Flores (zona sul de Londrina), solucionou o problema de trepidação e até de possíveis rachaduras nas casas. Porém, a comunidade reclama que agora, com a pista da marginal em boas condições, tornou mais evidente um outro problema que já incomodava: caminhões e ônibus trafegando em alta velocidade.
O DER realizou o desvio do tráfego para a marginal para a realização das obras de duplicação na pista da 445. No final do mês passado, os moradores começaram a reclamar da trepidação.
A dona de casa Cleonice Alves Spósito, moradora da rua Domingos Biasoni, próximo à marginal, disse que fica preocupada com o risco que ela e a filha Caroline, de 18, correm ao atravessar a via. "Os caminhões passam tão rápido que a gente nem vê", observa. "O recape foi muito bom para diminuir a quantidade de poeira que era levantada. Minha filha tinha crises constantes de rinite e isso diminuiu, mas, ao mesmo tempo, tornou a via mais propícia para os motoristas desenvolverem uma velocidade mais alta."
Vizinha a Cleonice, Maria Benedita Barbosa confirma o perigo. "Eu, por exemplo, estou aqui varrendo a guia, mas estou constantemente olhando para ver se não tem nenhum caminhão ou carro vindo em minha direção. Nunca fico tranquila."
"Talvez o problema fosse solucionado se colocassem algumas lombadas na rua ou os veículos fossem mesmo desviados como prometeram para nós", opina a aposentada Zilda Pilla, que mora com a família na Rua Kotaro Hayasaka.
Além do intenso tráfego, os moradores estão preocupados com a situação das casas, algumas apresentando rachaduras. A aposentada Olga Petri de Souza, moradora da Rua Maria Carmelita Magalhães, afirma não ter condições de reformar a residência e exige uma providência do DER. "Tem rachaduras na cozinha, no quarto e na varanda. Tudo isso surgiu com a trepidação. O recape asfáltico diminuiu isso, mas as rachaduras ficaram e eu quero saber o que vão fazer agora para resolver o nosso problema."
Segundo o superintendente regional do DER, José Ferreira Heidegger, ainda não é possível afirmar se as rachaduras têm relação com as obras de duplicação. Por isso, o departamento deve monitorar a situação durante a duplicação do trecho. Um cadastramento, segundo ele, deve ter início ainda este mês. "Iremos fotografar cada uma delas e fazer um cadastro justamente para comparar a situação das casas após o final das obras" afirmou.
Sobre o tráfego de veículos pesados, Heidegger garantiu que um desvio seria finalizado ainda ontem pela empreiteira Sanches Tripoloni, de São Paulo, transferindo o tráfego da marginal da rodovia para o próprio trecho da PR-445, que não está em obras.

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