Em tempos do ''abre-e-fecha'', ''começa, mas não continua'', permanecer no mercado por muito tempo não é tarefa das mais fáceis. Permanecer então, sem alterar a identidade, mais ainda. Com aniversário comemorado ontem, o Bar Vilão chega aos 30 anos sem perder sua essência. ''Aqui já teve de tudo: de despedida de solteiro a baile de aniversário'', afirma William Amador Bueno de Moraes, proprietário do espaço.

Ao relembrar a inauguração, em 1978, o empresário cita o perfil de seu público. ''À época, logo no início, nosso público pertencia mais à classe A. Com o passar do tempo, graças ao boca a boca, começou a mesclar. Hoje, compreendemos também as classes B e C''.

Para muitos apontado como templo boêmio, que reúne as diferentes gerações, o Vilão tem alguns campeões de audiência. Afinal, quem não provou - ou ouviu comentários sobre - o chilli e o spaghetti? ''O strognoff, aos domingos, está entre os mais procurados, também'', salienta William.

Em três décadas de funcionamento, o bar, volta e meia citado como o predileto dos casais, guarda boas passagens envolvendo (adivinhem?), casais. ''Certa vez, o bar estava vazio. Só havia uma mesa, no fundo, com um casal. De repente, uma moça entrou, batendo o salto no chão, dirigiu-se àquela mesa, deu um tapa no rapaz e foi-se embora''.

O rosário envolvendo pares teve mais episódios. ''Outra vez, eu estava no balcão e teve início uma briga. O rapaz estava ao celular. Nada contente, a namorada desse rapaz tomou o celular de sua mão, jogou num copo cheio de cerveja e, por fim, despejou outro copo cheio de cerveja sobre a cabeça do namorado, que estava mais para ex'', afirma William, aos risos.

Aos curiosos e empreendedores de plantão, William dá a dica para manter bases sólidas no mercado. ''Aos que afirmam que montar um bar é sinônimo de ganhar dinheiro, não estão errados. Dá dinheiro sim, mas é preciso, com ou sem oscilações, faça chuva ou faça sol, trabalhar. Eu, por exemplo, acordo às sete da manhã e não tenho diversão. Aqui é só trabalho''.

Caminhos cruzados

Encontrar londrinenses cujas histórias de vida se cruzam com as idas ao Vilão não é tarefa das mais difíceis. O advogado José Pascual esteve na inauguração do bar, localizado na região central da cidade, em 27 de janeiro de 1978. ''Lembro-me que era adolescente e fui com um amigo. De lá para cá, são 30 anos de adesão, sempre pedindo provolone à milanesa e, recentemente, o Beirute de filé à moda da casa'', afirma.

''Point'' predileto do advogado e de seus amigos, na época da faculdade, o Vilão, segundo José, era o lugar eleito para o que hoje chamaríamos de ''aquecimento''. ''Antes da festas da Step e da One Way, o Vilão servia de ponto de encontro para as preliminares das baladas'', recorda o advogado, que vai ao bar, em média, três vezes por semana, sempre na companhia da esposa.

''Outro ponto a ser ressaltado é o toque ecológico do Vilão, que destaca um corredor verde, com palmeiras. Essa preocupação me cativa, principalmente porque o palmito está em extinção e são poucos os que têm esse cuidado''.

Nutricionista e professora universitária, Jeanina Scalon Cotello, ''Nina'' para os mais íntimos, frequenta o Vilão há ''pelo menos 19 anos''. ''Assim vou entregar minha idade'', brinca.

Fã do Filet au poivre (filé com pimenta-do-reino), Jeanina gosta de ir ao Vilão nos dias de semana. E compara o espaço, com ares de pub, aos bares de Nova York. ''Adoro a caixa registradora (de 1919), a vela derretida e o cantinho dos livros, um charme!''.

Amiga de Nina, a advogada Letícia Baddauy é assídua do Vilão há 15 anos. ''Gosto de ir ao Vilão especialmente às quintas-feiras, quando está começando a bater o cansaço. O ambiente intimista de pub, com iluminação baixa, ótima música e diversidade de pessoas é um convite à permanência. Até o corredor de entrada já dá o charme. Além disso, adoro balcão de bar. Do balcão do Vilão tem-se uma pespectiva divertida do movimento. É um lugar onde posso sentar sozinha, bater longos papos com o William, que tem sempre histórias interessantes''.

Letícia, que residia em frente ao bar, permanece fiel após a mudança de endereço. E explica. ''Quando quero dar uma paradinha, o Vilão é minha dose de bom humor. Quando demoro para aparecer, sinto falta, pois tenho bons momentos de descontração por lá. Mais que uma instituição, o Vilão é verdadeiro patrimônio da noite londrinense''.

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