Tradição tem mais de 2 mil anos
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Da Redação 
Enquanto umas pessoas se apegam à religião para tentar resolver problemas que estão além da sua capacidade racional, outros usam amuletos. Por isso, independente do desenvolvimento tecnológico, a superstição só vai desaparecer com o próprio homem. A idéia é defendida pela professora de cultura brasileira, doutoranda em Literatura Brasileira, Raimunda de Brito Batista.
Pesquisadora da cultura popular e história das mentalidades, idéias e vida cotidiana, Raimunda explica que a junção do 13 com a sexta-feira e, no caso de hoje, com o dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, a carga de superstição é triplicada. A origem dessa tradição é tão antiga que se perdeu no tempo. Os reis franceses por exemplo não tomavam decisões importantes numa sexta-feira 13 por ser considerado um dia de azar. E ainda nos dias atuais, empresários importantes não fecham negócios hoje, exemplifica. Por outro lado, algumas pessoas agem como se fosse um dia de sorte. A verdade, segundo ela, é que o 13 é um dos números mágicos em várias religiões, assim como o 3, o 7 e o 9. Por ser mágico, ela explica, pode resultar em coisas boas ou ruins.
A superstição em torno da sexta-feira, segundo ela, foi aguçada com a crucificação de Cristo numa sexta-feira. Mas com certeza essa superstição é anterior a Cristo. Deve ter mais de dois mil anos, diz. Ela afirma que até mesmo a Igreja Católica que condena a tradição tem simbolismos que apesar de outra nomenclatura não passam de superstição. Tem dia para benzer carro, benzer casa, benzer tudo. É claro que benzedura é superstição.
(Edmara Michetti)


