Monumento em Rolândia, preservação da cultura em Mairiporã, miscigenação em Londrina e avanço tecnológico em Mauá da Serra são algumas das referências da participação da comunidade nipo-brasileira nos municípios do Norte do Paraná. Rolândia (25 km a oeste de Londrina), onde em junho deste ano o presidente Fernando Henrique Cardoso participou das comemorações dos 90 anos da imigração japonesa, guarda em seu Centro de Treinamento Agrícola parte da história dos primeiros japoneses que chegaram a região.
Um museu e alguns monumentos, o último deles inaugurado durante as festas do Imin 90, são relíquias mantidas com extremo cuidado pelos nipo-brasileiros, mas em uma cidade marcada pela forte presença de imigrantes alemães. Diferente da pequena Mairiporã, uma comunidade que pertence ao município de Sertaneja (a 63 km de Cornélio Procópio), onde não há museus nem monumentos, mas um ‘‘kaikan’’ (clube japonês) construído em madeira funciona com um aviso: ‘‘Aqui a comunidade nipo-brasileira é pequena em quantidade, mas grande na qualidade’’.
O clube é da Associação Cultural e Desportiva de Mairiporã, que reúne 27 famílias e tem como presidente Emílio Keitiro Suzuki, 57 anos. Muitos jovens de Mairiporã têm vão trabalhar no Japãp como dekasseguis. Prática que já rendeu riquezas e agora causa tormenta em praticamente todas as comunidades nipo-brasileiras por causa da crise econômica.
Segundo Suzuki, as famílias de Mairiporã têm a preservação da cultura e da tradição como um procedimento de rotina. ‘‘A educação aqui na colônia tem sido rígida para com as crianças e os jovens. Por isso o pessoal daqui que tem ido trabalhar no Japão tem sido muito bem recebido lá, justamente por falar bem o japonês e conhecer bem os costumes do país’’. Além da rigidez em casa, as crianças frequentam aulas de japonês e participam das datas comemorativas, como a do Ano Novo.‘‘No dia 1º de janeiro, fazemos reuniões e cantamos os hinos nacionais do Japão e do Brasil, realizamos a cerimômia do ‘omoti’, falando sobre o ano que passou e o que queremos do futuro. Depois ficamos batendo papo, o dia todo, comendo ‘obentô’ e bebendo’’.
No outro extremo, Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana) concentra pequeno número de nipo-brasileiros, que têm expressiva participação nas áreas social, cultural e econômica do lugar. A maioria das famílias, está concentrada na agricultura e adota tecnologia de ponta na atividade produtiva.
Em quantidade, porém, Londrina continua na frente. São cerca de quatro mil famílias nikkeys, segundo números divulgados em junho durante as comemorações do Imin 90. Eles representam 9% do quadro de docentes da UEL (cerca de 120 professores) e dos cerca de 700 dentistas da cidade, 220 são nikkeys.
A tradição fica por conta de dona Tomi Nakagawa, 92 anos, que desembarcou no dia 18 de junho de 1908 no Porto de Santos, depois de atravessar mares a bordo do Kasato Maru. Já adoentada, dona Tomi é a única passageira ainda viva daquela viagem.Arquivo FolhaTomi Nakagama, 92 anos, única passageira ainda viva do Kasato Maru que chegou ao Brasil em 1908: símbolo da comunidade nipo-brasileira de LondrinaNipo-brasileiros são 9%
dos professores da UEL
e dos 700 dentistas da
cidade, 220 são nikkeys

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