Desde as mais antigas civilizações, o homem vem criando meios de comunicação para transmitir aos outros os seus pensamentos. Atualmente, a Internet tem sido uma das ferramentas mais usadas para isto. Mas a tecnologia ainda não conseguiu eliminar algumas tradições e o hábito de enviar cartões natalinos é uma delas.
É a magia do Natal e a vontade de transmitir mensagens de amor e carinho aos amigos e familiares que motiva a executiva Maria Bortoni, todos os anos, a enviar cerca de 100 cartões pelos Correios. O hábito surgiu quando ela ainda era criança e morava na cidade de São Lourenço, no sul de Minas Gerais. ''Minha mãe sempre foi uma pessoa muito fina e educada. Ela era dona de um hotel e comprava muitos cartões para mandar para várias pessoas, desde o prefeito da cidade até amigos e familiares. Era eu que escrevia tudo. Passei então a ter esse hábito'', conta.
Desde então, Maria já passou 25 natais nos Estados Unidos, onde suas filhas moram. Ela acha que nos EUA o hábito de enviar cartões é muito mais comum do que no Brasil. ''As caixas de correios em frente as casas de lá ficam lotadas. Acho que o cartão é muito mais importante do que mandar mensagens pela internet. Você para, senta e perde um tempo pensando naquele amigo, imaginando como ele está e o que quer escrever para ele. Eu nem faço questão de receber. Para mim o importante é que meus amigos possam receber mensagens de amor e de paz'', comentou.
Cartões com mensagens apropriadas para cada um de seus amigos. É assim que a dona-de-casa Marilizia Fontes, 53 anos, escolhe seus cartões. ''Desde jovem eu mando cartões, mas andei dando uma relaxada porque parei de receber também. Este ano comprei uns quinze pelo menos e mando, principalmente, para meus familiares''.
A comerciante Maria do Rocio Batista Tavares e seu marido, o consultor, Mário Jorge de Oliveira Tavares, mantêm a tradição de mandar cartões de Natal há pelo menos 34 anos. Segundo ela, a quantidade de cartões que eles têm comprado para enviar pelos Correios tem diminuido por conta da internet, mas o número de amigos que recebem os cartões ou as mensagens personalizadas, continuam o mesmo.
''Antes eu comprava uns 70 cartões. Hoje em dia compro a metade porque o resto mandamos pela internet. Não mandamos cartões virtuais. Meu marido faz uma mensagem personalizada bem bonita no email'', disse.
Na hora de comprar os cartões a comerciante se atenta às mensagens, porém, o que ela considera ainda mais importante é o que complementa depois. ''A cada ano é uma situação nova, diferente. Escrevemos para cada um de acordo com o que está acontecendo com a vida daquela pessoa. Eu também costumo guardar os cartões que recebo. São mensagens lindas e eu acho muito importante deixá-las guardadas, para relembrar dos amigos''.

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