Em muitas culturas, o ano-novo é momento de celebração. Para os japoneses, mais do que isso, 1º de janeiro é dia de agradecimento. E, seguindo a tradição oriental, a primeira refeição deve ser regada a moti, bolinho de arroz feito especialmente para a ocasião. Ontem cerca de 70 voluntários estiveram reunidos durante todo o dia para a preparação do alimento, que será vendido à comunidade.
Segundo o coordenador do grupo, Yukinobu Somisa, 420 quilos de arroz virariam 700 quilos de massa e mais de 14 mil unidades. ''Tudo isso é vendido numa bandeja com 20 bolinhos. Há ainda a opção de um moti maior para oferecer em altar'', explica. Para chegar ao ponto certo há um longo trabalho. ''O arroz fica durante 12 horas de molho para, então, ser cozido. Depois, vai para o pilão, onde é socado até virar uma massa.''
Mas, se a tradição de fazer o moti resiste, o pilão de madeira, no qual se usa um grande e pesado socador, dá lugar aos pilões automáticos. ''Nas máquinas novas, a massa fica pronta em 12 minutos. No pilão de madeira, além de ser mais cansativo, chegamos a ficar meia hora amassando'', revela Somisa. Canseira que o caminhoneiro aposentado Yoshimi Kanda dá um ''baile''. No auge de seus 84 anos, tem uma vitalidade de poucos e não hesita em demonstrar como se faz o moti à moda antiga. ''Faço isso há 20 anos. Estou aqui desde as seis da manhã ajudando a todos'', diz, misturando o português à língua japonesa.
A mesma energia é percebida nos demais voluntários, grande parte acima dos 50 anos. Assim como a aposentada Sizuko Aizawa, que, na labuta desde cedo, já havia perdido a conta de quantos bolinhos tinha feito. ''É muita coisa, mas vale a pena ajudar e manter a tradição. O bolinho representa agradecimento e intenção de mais prosperidade, saúde e felicidade para ano que inicia.'' E a mesma história que o comerciante Nelson Suono que passar à filha, de pouco mais de um ano. ''O arroz é o alimento mais importante e sagrado para o japonês. Pretendo que meus filhos continuem com essa tradição.''
E, se a maioria do grupo é formada por japoneses e descendentes, há alguns brasileiros incorporados na cultura oriental. Casado há 27 anos com uma descendente, Urbano Couto Batista, participa pela primeira vez como ajudante na festa. ''Admiro a cultura pelo respeito que eles têm à natureza, aos mais velhos e ao próximo. Essa reunião voluntária para fazer o moti é mais uma amostra do respeito às tradições'', conta ele.
Serviço - Missa de celebração do Ano-Novo com entrega de ozouni (sopa com moti). Dia 1º de janeiro, às 9 horas, na Acel (Estrada Major Achilles Ferreira, 2.300, Limoeiro)

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