As distâncias entre os planetas e as constelações do sistema solar são astronômicas, mas no Jardim do Sol (Zona Oeste de Londrina), leva-se apenas alguns minutos para se chegar de Mercúrio a Saturno. Vênus, Netuno, Urano, Marte e o planeta-anão Plutão também são habitados. As ruas do bairro também levam nomes de constelações - Sagitário, Capricórnio, Órion, Centauro. O astro-rei também é homenageado com o nome da avenida principal.
Localizado próximo à Avenida Leste-Oeste, o bairro de não mais do que 20 ruas e 900 casas, mantém muito das características de quando começou a ser habitado, há mais de 50 anos. É comum encontrar casas de madeiras, pequenas vendas e famílias pioneiras. O casal José Mário dos Santos e Isaura Tirapelli foi um dos primeiros a chegar ao Jardim do Sol. ''Não tinha asfalto, água, luz. Era só poeira e mato. Cheguei a tocar uma 'venda' na época em que passava o trem de ferro pela Leste-Oeste'', relembra Santos. ''Agora está muito bom aqui. Já mudamos cinco vezes no mesmo bairro. Só saio desta casa se a Acesf me tirar'', brinca Isaura. O eletricista José Breve, há 45 anos no bairro, relembra a dificuldade para captar água. ''As mulheres iam até a nascente do Ribeirão Quati e voltavam com lata d'água na cabeça''.
No Jardim do Sol é comum as pessoas cumprimentarem umas as outras pelo nome quando caminham pelas ruas. ''A melhor coisa do bairro são os moradores. Ele é pequeno e as amizades formadas ao longo dos anos mantêm-se'', destaca a secretária da Paróquia Nossa Senhora da Luz, Dora Lúcia de Souza Lula. O comerciante Marcelo de Lima Romagnoli também reforça a afetividade existente entre a vizinhança. ''Morei durante 41 anos aqui e, apesar de residir em outra região há oito anos, não consigo me afastar. Tenho muitos amigos e ministro catequese na paróquia'', comenta.
Os moradores consideram-se privilegiados geograficamente por residirem perto do Centro. Contudo, esta mesma facilidade faz com que o comércio local não seja tão fortalecido. O bairro também possui duas escolas - uma municipal e outra estadual - uma creche, posto de saúde, biblioteca municipal e o Instituto Londrinese de Instrução e Trabalho para Cegos (ILITC).
Segundo os moradores, o bairro possui cinco praças, bem arborizadas, mas a maioria encontra-se abandonada. De acordo com Romagnoli, a única bem cuidada é a Padre Fausto Cucco, localizada em frente a paróquia. ''Ela foi construída em 1996 graças a boa ação dos fiéis, que doaram material de construção'', relembra. Hoje, o local é ponto de encontro dos moradores antes e depois das missas e também sedia eventos da igreja.
Outra queixa dos moradores é a ausência de um espaço para o desenvolvimento de atividades com crianças e adolescentes. ''Falta representatividade política no Jardim do Sol'', opinam. Já o presidente da Associação de Moradores do Jardim do Sol, Áureo Ferreira, afirma que a Fundação de Esportes desenvolve um projeto com meninos do bairro.

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