Tradição de Finados reúne várias religiões
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sexta-feira, 01 de novembro de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
Enquanto para algumas pessoas o dia 2 de novembro não passa de mais um feriado nacional, para outras, hoje, Dia de Finados, é o dia da celebração da vida eterna. É neste dia que milhares de cristãos saem de suas casas em direção ao cemitério para orar pelos entes queridos que já morreram. De acordo com a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), hoje, cerca de 250 mil pessoas devem passar pelos cinco cemitérios municipais da cidade.
Apesar do Dia de Finados ser uma tradição católica, adeptos de outras religiões também aproveitam a data para relembrar perentes e amigos falecidos, entre eles, espíritas, budistas, judeus, evangélicos e muçulmanos.
Os católicos vêem na morte uma passagem para outra vida, um reencontro com Deus. Para os cristãos, o Dia de Finados celebra a vida eterna, a ressurreição. Além de orações, nesse dia, flores e velas são levadas aos túmulos para homenagear os mortos. ''A data é oportuna para fazermos uma reflexão sobre a vida e a morte'', comenta o padre Sílvio Andrei, da Arquidiocese de Londrina.
Tanto para os espíritas quanto para os budistas, a morte significa a desencarnação do corpo físico. De acordo com a doutrina espírita, o corpo físico morre, mas o espírito permanece eterno. No Dia de Finados, os espíritos comparecem em maior número aos cemitérios, porque nesse dia, também é maior o número de pessoas que os chamam em pensamento, comentou o espírita Juvenal de Abreu Silva.
Assim como os adeptos do espiritismo, os hindus também acreditam na reencarnação após a morte. Segundo o coordenador do Núcleo de estudos afro-asiáticos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professor Eduardo Judas Barros, o hinduísmo acredita que a libertação se faz através da reencarnação. Conforme o reverendo Tetsuya Nakayama, no budismo, o dia de relembrar os mortos é 15 de agosto. ''Oramos e dançamos em respeito aos mortos''.
Os evangélicos acreditam que a morte não é o fim, mas sim a entrada para a vida eterna e espiritual. Segundo o presidente do Conselho de Pastores de Londrina, pastor Joed Crespo, apesar de visitarem os túmulos dos falecidos no dia 2 de novembro, pela ligação emotiva, os evangélicos não costumam reverenciar os mortos e nem orar por eles. Para os fiéis, o cemitério é um local de respeito, para lembrar daqueles que se foram para junto de Deus, mas ali, dentro do túmulo, eles acreditam que restou apenas o corpo físico. ''Não vemos a necessidade de homenagear os mortos. É aqui nessa vida que devemos nos preparar para o dia do juízo final. Depois da morte já temos o destino definido'', declara o pastor.
Em Londrina, os judeus também aproveitam o Dia de Finados para ir até o cemitério. Na tradição judaica, os túmulos devem ser iguais e sem nenhuma ornamentação. Nas orações, eles não pedem pela alma do falecido, mas glorificam a Deus. Em vez de velas, eles costumam deixar pedras sobre os túmulos.''Deixamos a pedra como sinal de que passamos por ali'', disse Davi Schnaid, adepto do judaísmo.
Os Cemitérios de Londrina
São Pedro (Centro)
Área 46.225 metros quadrados
Sepultamentos 37.012
Fundado em 1932
João XXIII (Zona Oeste)
Área 34.510 metros quadrados
Sepultamentos 13.870
Fundado em 1964
Padre Anchieta (Jardim Ideal)
Área 36.308 metros quadrados
Sepultamentos 22.239
Fundado em 1968
Jardim da Saudade (Zona Norte)
Área 121.000 metros quadrados
Sepultamentos 20.803
Fundado em 1984
São Paulo (Zona Leste)
Área 9.902 metros quadrados
Sepultamentos 1.228
Fundado em 1989
Cemitério Parque das Oliveiras
Área 24.200 metros quadrados
Sepultamentos 2.970
Fundado em 1965
(Fonte: Acesf/ O número de sepultamentos refere-se até janeiro/2002)


