Atualmente, o exorcismo não é mais utilizado na religião judaica, mas alguma coisa do medo do demônio ainda sobrevive em seu folclore. De acordo com a visão judaica, o Satã ou, como também é conhecido entre judeus, Samael, é um anjo caído. Ele teria sido criado no anoitecer da primeira sexta-feira do mundo, mas ficou incompleto. Deus, com a proximidade do dia santo judeu, não teve tempo de criar corpo nele e em outros anjos, que mais tarde se transformariam em demônios. Com isso, eles ficaram desencarnados.
Incompletos, eles não ganharam sombra e polegares, mas mantiveram o poder de voar e conhecer o futuro, sabendo inclusive quando acabava a sua mortalidade. Por não se corporificar, estes espíritos passaram a almejar o corpo humano, passando a viver próximo de aldeia, com a intenção de possuir uma das pessoas.
A possessão acontecia quando a pessoa duvidava da existência de Deus. O possesso tinha sua voz mudada, passando a falar outras línguas e tomando atitudes estranhas. A ação dos demônios acontecia normalmente durante a noite e quando a pessoa andava sozinha. Por sinal, era na noite que os demônios tinham maior poder. Normalmente quem possuía uma pessoa era uma espécie de demônio conhecida como dibuk (que em hebraico significa ‘‘aquele que adere’’).
O dibuk entra pelo pé da pessoa e é por aí que sai na hora do exorcismo. Para retirá-lo do corpo de alguém, é necessária a ação do rabino e de vários de religiosos que proferem uma série de orações. Entre elas, está o salmo 91, que reafirma a força de Deus. Além disso, o possesso recebe água borifada e é abençoado com ervas. As pessoas que realizam o exorcismo precisam estar purificadas, e para isso passam por um processo conhecido como Tikun-em que se realiza uma completa reflexão.
Caso o problema sejam locais mal-assombrados, os religiosos entoam o Salmo 91 e a benção sacerdotal. Depois andam em volta do prédio com a Torá (livro sagrado), jogando água nas soleiras das portas e fazendo barulho para assustar o demônio. Por fim, era colocada uma mezuzá na porta, com proteção. A mezuzá simboliza a marca de sangue posta na porta dos judeus, quando na escravidão do Egito, que serviu para que o anjo da morte pulasse as casas hebréias, não matando os primogênitos.

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