TRADIÇÃO - Um lugar de amizades para a vida inteira
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quinta-feira, 08 de novembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Com mais de 33 milhões de habitantes e governado pelo exótico ator Arnold Schwarzenegger, o estado da Califórnia é o mais populoso dos Estados Unidos e sinônimo de prosperidade por sua riqueza. Para se ter uma idéia, se fosse um país, esse Estado americano seria a sétima economia mundial.
Em Londrina, o Jardim Califórnia (Zona Leste) está longe de ter milhões de habitantes, porém, mesmo assim, faz jus ao nome. Com mais de três dezenas de ruas, boa parte delas com ares de avenidas, o bairro é um dos maiores da cidade. Dentro do Califórnia estão algumas vias de grande importância para o tráfego da Região Leste, como a Charles Lindemberg - que começa na Avenida Juscelino Kubistcheck e vai até o fundo de vale do Ribeirão Cambé -, e a Salgado Filho, que passa atrás do aeroporto e leva, entre outros destinos, para o Tiro de Guerra.
Loteado há quase cinquenta anos, o bairro tem um jeito todo tradicional. Boa parte das famílias que moram por ali fincou raízes e não pensa em mudança para outra região da cidade. Outra coisa que chama a atenção é a unanimidade entre os moradores entrevistados ao destacar o que o bairro tem de melhor. Todos dizem que é a amizade entre seus moradores. Encontrar rodas de bate-papo pelas ruas não é difícil.
No dia da visita da FOLHA ao bairro, em frente à Paróquia Santa Rita de Cássia, um grupo de jovens se divertia com boa conversa. A maioria deles, nascidos e criados em ''terras californianas''. Abordados pela reportagem, os rapazes logo destacaram as vantagens de morar em um lugar de boa vizinhança. ''Em termos de amizade, o nosso bairro é muito bom. O que atrapalha um pouco é a violência, mas isso está acontecendo em toda a cidade'', relatou o estudante João Henrique dos Santos, 21 anos. ''Aqui, todo mundo se conhece, isso é muito bacana'', completou o também estudante Luan Lima Coutinho, 17.
Com 76 anos de idade e morando há 30 no Califórnia, o mecânico aposentado Manoel Tsuchiya acompanhou boa parte do desenvolvimento do lugar. Quando ele chegou, o asfalto ainda não existia. Os vizinhos também eram poucos. ''Onde hoje está a igreja era um campinho de futebol. Na rua onde moro só tinham duas casas construídas, mesmo assim, o lote era caro'', conta.
Outro das antigas é o pedreiro Bogdan Soroka, quarenta anos de Califórnia. ''Tudo aqui em volta era cafezal quando o bairro começou. A bicicleta era o melhor meio de transporte. Hoje, tudo é diferente, mesmo assim não penso em sair daqui'', ressaltou o pioneiro, que é vizinho de Tsuchiya na Rua Pedro Abelardo.
Aliás, por falar em nome de rua, no Califórnia tem de tudo. São homenageados, entre outros, o pacifista Mahatma Gandhi, o pensador chinês Confúcio, o aeronauta comandante Ismael Guilherme e o pioneiro londrinense Hikoma Udihara.
Morando no bairro há sete anos, a secretária Amanda Carolina Raboni, 20, a exemplo dos mais antigos, não pensa em deixar o Califórnia. O motivo? ''É por causa das amizades'', explicou objetivamente. Pelo mesmo motivo de Amanda, a comerciante Ana Paula Spaini, 20, pretende continuar por um bom tempo no bairro onde nasceu. ''Sou acostumada a morar aqui e tenho diversos amigos. Não gostaria de me mudar'', diz convicta.


