Trabalho voluntário move 80 estudantes
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domingo, 07 de março de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
À primeira vista, até parece obrigação escolar. Mas foi por livre e espontânea vontade que 80 jovens, a maioria universitários que gozam de bom nível econômico, abdicaram do lazer no fim de semana para acordar cedo, organizar salas, vestir figurinos estranhos e, em alguns casos, se deslocar mais de 300 quilômetros para chegar até a pequena Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio).
Foi nesse município que o grupo Interseinen Paraná, célula jovem da associação nipo-brasileira Liga Desportiva e Cultural Paranaense, se instalou nos últimos três dias para realizar um programa de atendimento voluntário à comunidade carente. Este foi o quarto evento do gênero organizado pela equipe - o primeiro aconteceu em Londrina, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), em junho de 2002. Muitos jovens gostaram da experiência e continuaram com o trabalho voluntário, convidando amigos para tomar parte no ato de solidariedade.
Os estudantes são oriundos de várias cidades do estado, incluindo Uraí. Para participar do evento, alguns vieram de Cascavel e até de São Paulo. O objetivo do programa voluntário é educativo: levar informações básicas sobre temas como saúde e alimentação, de graça, a pessoas que geralmente não têm acesso a esse tipo de conteúdo. Tudo da forma mais simples e descontraída possível, com bate-papos, teatro e brincadeiras. ''As pessoas chegam meio tímidas e por isso a gente procura não deixar nada formal. É emocionante ver que, ao final das atividades, as pessoas estão nos contando coisas que nunca disseram a ninguém'', explica a voluntária de Londrina Mirian Tsuchiya, 20 anos.
Os alvos do trabalho são gente como a doméstica Maria Lúcia Fernandes, 39 anos. A princípio desconfiada, ela foi cedendo à simpatia do grupo que apresentava um teatro sobre sexualidade, DSTs e contracepção. Maria chegou à Escola Municipal Leônidas Pontes, local do evento, sem saber o que iria encontrar. ''Vim porque ouvi dizer que era bom. Na roça, de onde saímos faz sete meses, não chegava esse tipo de coisa não'', recordou. Jorge, o marido, foi atrás de informações sobre nutrição. Desde que ficou impossibilitado de trabalhar por razões de saúde, é ele quem cozinha em casa. ''A gente aprende sozinho e nunca sabe se está fazendo as coisas direito. É bom aprender mais um pouco'', observou.
O programa também tem teor educativo para as crianças, mas com essas tudo é feito com jeito de festa. Tímidas como os pais, elas são recebidas por voluntários vestidos de palhaço e logo estão pulando, correndo, brincando. ''Eu estudo nessa escola e nunca tinha visto palhaço aqui, só no circo. Tá muito divertido'', opinou Maria Isabel Miranda, 6 anos. As crianças também assistiram a apresentações teatrais, onde aprenderam sobre saúde bucal. Ao final do evento, foram distribuídos kits com alimentos, produtos de higiene e preservativos.


