Trabalho voluntário ajuda viciados
Uma equipe de cabeleireiros de Londrina está dando um exemplo de solidariedade através do trabalho. Sete profissionais do Perfil Cabeleireiros estiveram ontem, pela manhã, no Centro de Recuperação Movimento Evangélico para Libertação de Vidas (Melvi), no Jardim Ideal (zona leste) cortando o cabelo e trocando conhecimento com os 30 internos do local. Este foi o primeiro passo para um trabalho mais amplo, que vai envolver visitas periódicas com objetivo de ajudar na recuperação dos viciados e sua reintegração social.
Segundo José Damião da Silva, o Zezito, um dos proprietários do salão, a idéia surgiu em conversas dentro da empresa. Há mais ou menos um ano, começamos a nos reunir a cada 15 dias, para discutir nossas ações, dentro e fora da empresa. E chegamos à conclusão que nossa atuação junto à sociedade estava meio apagada, sem um foco. Aí resolvemos agir, conta. Segundo Zezito, ele já fazia um trabalho voluntário deste tipo junto a várias entidades, de forma esporádica. Mas, desta vez, foi a equipe que decidiu participar de uma forma mais atuante e chegou à conclusão que era melhor se dedicar a uma entidade. Acabamos escolhendo o Melvi, explica.
Zezito diz que, basicamente, o grupo vai estar doando seu dia de folga, a segunda-feira. De acordo com ele, a intenção é estar no Melvi a cada 15 dias, cortando cabelos ou não, mas sempre presente. Às vezes, estas pessoas precisam apenas conversar, de um gesto de amizade. Queremos nos envolver com eles, criando relacionamentos. É impressionante como esse pessoal é carente e não só de coisas materiais, mas de carinho, observa.
Além disso, segundo o cabeleireiro, os profissionais estarão atuando também junto aos clientes, buscando doações e outros voluntários para o Melvi. É muito fácil ficar lá fora, trabalhando e levando a vida sem se preocupar. Mas não podemos esquecer que aqui dentro estão pessoas que necessitam muito do apoio de todos para conseguir se livrar das drogas, justifica.
Para os internos, a novidade foi muito bem-vinda. De cabelo cortado em um estilo da moda, A.O, 15 anos, estava se sentindo em dia, depois de 10 dias de internação. Gostei deles. O pessoal é legal, conversa com a gente, não recrimina, dá conselhos. É bom ter pessoas diferentes para conversar. O corte também ficou legal, diz. Para Júlio, 22 anos, outro interno recente - apenas três dias -, a iniciativa dos cabeleireiros também foi boa. A gente fica pensando besteira. É bom receber um pouco de atenção de pessoas de fora.
Para o pastor Claudionor Rodrigues, diretor-administrativo do Melvi, ações do tipo são fundamentais para a recuperação dos internos. Não é só o fato de cortar o cabelo de graça. O importante é o calor humano, é o contato. É isso que traz vida e, principalmente, esperança, afirma.
Segundo o pastor, a presença dessas pessoas traz até mais resultado que a simples doação de dinheiro. Nossa proposta aqui no centro não é só a recuperação dos viciados. Nós buscamos a reintegração junto à família e à sociedade. E como vamos fazer isso sem a compreensão e o calor humano? Sem ter quem escute as histórias terríveis que temos aqui e estenda a mão?Josoé de CarvalhoMais que belezaEquipe corta cabelo de rapazes que tentam se livrar das drogas: calor humano e contato com internosTelma Elorza





