OParaná está entre os estados onde há maior percentual de alunos no sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no País. Apesar da procura pelo EJA, horários incompatíveis de trabalho e aulas fazem com que os paranaenses abandonem os estudos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,7% dos frequentadores do EJA estavam nos estados do Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rio Grande do Norte, Roraima e Paraná. De acordo com o coordenador técnico do PNAD no Estado, Estevão Generoso, proporcionalmente, o Paraná seria responsável pelo maior percentual de estudantes no programa. Os dados são referentes ao ano de 2007.
O instituto ouviu 399.964 pessoas em 147.851 domicílios distribuídos em todas as unidades da federação. Os dados revelaram que em todo Brasil existiam 10,9 milhões de pessoas com mais de 15 anos frequentando o EJA, o que corresponderia a 7,7% da população. Segundo o IBGE, das cerca de 8 milhões de pessoas que passaram pelo programa antes de 2007, 42,7% não concluiram o curso. O principal motivo alegado foi a incompatibilidades de horários entre as aulas e a atividade laboral. Na região Sul essa foi a razão pela qual 29,5% dos pesquisados não terminou o curso. O segundo motivo mais comum foi a incompatibilidade do horário com as atividades domésticas (15%) e a terceira a dificuldade de acompanhar o curso (11,2%).
No Paraná esses dados são divididos pelo nível de ensino de seus entrevistados. O primeiro segmento do ensino fundamental mostra que o motivo mais recorrente do abandono das aulas também corresponde à incompatibilidade de horários das aulas com o trabalho (26,5%) e à dificuldade em acompanhar o curso (19,5%). No ensino médio o motivo principal é o mesmo, aulas no mesmo horário do trabalho (33,5%) e incompatibilidade com as atividades domésticas (14,4%).
No que se refere à razão que leva os alunos à procurarem o EJA, 41% dos entrevistados do Paraná alegaram o retorno aos estudos seguido da expectativa de obter com o curso melhores oportunidades de emprego (22,5%). A mesma proporção se observa nos dados da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde 43,8% dos entrevistados buscam retornar aos estudos e 21% buscam melhores colocações profissionais. Em todo Estado existem 478 escolas públicas que oferecem turmas do EJA, 270 delas são oferecidas pelo poder municipal.
A pesquisa também mapeou o ensino técnico e profissionalizante e revelou que, em 2007, a grande maioria dos pesquisados não concluiu esses cursos por dificuldades financeiras. Das 2,4 milhões de pessoas que desistiram em todo Brasil, 25,5% o fizeram por questões financeiras. Segundo o IBGE, a maioria das instituições que oferecem esse tipo de cursos, 53,1%, pertencem à iniciativa privada (empresas, ONGs, escolas particulares, igrejas). Outros 22,4% eram oferecidos pos instituições públicas e 20,6% pelo sistema "S", que engloba o Sesc, Senai, Senac, Sebrae. Segundo Generoso, no Paraná preponderam os cursos profissionalizantes na área de informática, devido à percepção dos alunos da necessidade de conhecimentos nessa categoria.

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