'Trabalho persistente e visionário'
Um dos quatro filhos de Celso e então com 19 anos, Manoel (''Neco'') Garcia Campinha Cid chegou à Índia com a licença do governo francês para que o gado fosse levado à Guiana. A declaração de um destino era exigência do governo indiano, que submetera os animais ao controle sanitário, mas o Ministério da Agricultura no Brasil não admitia a importação.
Ildefonso dos Santos, amigo de Celso e administrador da Fazenda Cachoeira, já grisalho e curtido na lida campeira, adiantara-se dois anos antes, iniciando a seleção. Nesse objetivo logo teve a companhia do próprio Celso e ganharam a simpatia do Marajá de Bahvnagar, que lhes cedeu os primeiros 63 animais gir e guzerá, os nelore seriam adquiridos em outra região.
Neco lembra que ''o pai sempre foi muito fiel à lealdade de Ildefonso'' e ao decidirem pela busca na Índia estabeleceu: ''30% do gado é seu''. Posteriormente, revisaram o acordo e Celso comprou para Ildefonso a Fazenda Santa Terezinha, em valor correspondente àqueles 30%. A determinação de ambos, conforme Neco, dava a certeza de que os zebuínos entrariam no país.
''Sempre tivemos fé no trabalho do pai, persistente e visionário. Tanto é que ele tinha razão'', resume, apontando para a produtividade e a liderança brasileira na exportação de carne bovina atualmente. E revela uma particularidade envolvendo o convênio ''troca-troca'', em 1961, pelo qual Celso e outros selecionadores forneceram reprodutores nelore para a Secretaria de Agricultura do Paraná repassar a interessados na melhoria de plantéis. Convidado a participar, José Zacarias Junqueira, de Uberaba, ficou em dúvida, se venderia ou não animais ao programa, porque era comum governos não pagarem contas. Celso o tranquilizou: ''Pode vender que eu avalizo o Estado''.
Com 80% de nelore na pecuária de corte hoje, o país elevou de 50% para 56% a 58% a carne limpa do macho gordo e o confinamento acelera 90-100 dias o acabamento, com 17 arrobas em dois anos; no campo, 18 arrobas até três anos. ''É bom também falar da qualidade dos criadores e da variedade de capins'', acrescenta Neco, destacando as pesquisas da Embrapa e do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) em pastagens.
Conforme Neco, já se atinge o estágio de 100 vacas com 92 a 95 bezerros. E a desmama aos oito meses chega a 95%, ''índice formidável que se deve também aos zootecnistas e agrônomos.''
Hoje o Brasil está aberto a sêmen e embriões procedentes da Índia, que fêmeas receptoras, na Ilha de Cananeia, passam a gestar, ''o que é uma forma de moderna de importação'', observa. Quanto a ''rinterpestz'', temida no passado, Neco presume que tenha sido banida da Ásia; a ocorrência no passado, a seu ver, se devia a falta de alimentação do gado indiano, cuja debilidade o expunha demasiadamente ao vírus. (W.S.)





