'Trabalho não resgata; ele dá cidadania aos carentes'
Trabalho não resgata; ele
dá cidadania aos carentes
Arquivo FolhaDefesaTavares: Promotores devem ir onde estão os mais necessitadosO promotor Paulo César Vieira Tavares, coordenador das Promotorias de Justiça das Comunidades em Londrina, afirma que o trabalho que o Ministério Público vem desenvolvendo não resgata a cidadania das pessoas carentes, mas lhes dá a cidadania. Em entrevista à Folha , ele diz que as Promotorias de Justiça das Comunidades são uma mostra de que o Ministério Público busca caminhar de mãos dadas com o povo, deixando para trás velhos conceitos.
Folha - O Ministério Público agora está tentando resgatar a cidadania da população carente, dando-lhe o direito da Justiça?
Paulo César Tavares - Não estamos resgatando cidadania do povo carente. Infelizmente este povo nunca conseguiu exercer sua cidadania. Estamos, isto sim, dando-lhe a oportunidade de possuir cidadania.
Folha - Qual o mecanismo que o Ministério Público usa para chegar ao povo, sem ter a conotação do clientelismo empregado por determinados políticos?
Tavares - Estamos obedecendo a Constituição Federal de 1988. Com a nova Constituição caem os velhos conceitos do que era a Promotoria de Justiça. A Constituição é bem clara ao dizer que cabe ao Ministério Público defender a sociedade nas questões mais sérias e importantes. Para isto, os promotores de Justiça precisam caminhar mais em direção do povo, para que saiba o que a instituição pode fazer por ele. Em razão desta proposta torna-se necessária a sua ida às comunidades onde estão os mais necessitados, os esquecidos do exercício dos direitos elementares da cidadania. Temos que intervir, nos aproximar do povo para que as pessoas tenham consciência de seus direitos e não sejam mais ludibriadas. Atacamos em todas as frentes, desde os problemas ecológicos até os direitos básicos da educação, saúde e segurança.
Folha - Um dos aspectos mais decepcionantes para o povo é alguém criar expectativas e elas não acontecerem...
Tavares - Temos consciência disto. O Ministério Público é a organização mais independente de nossas instituições. Esta independência nos garante o interesse de fazer Justiça. Apesar de ainda não possuirmos uma infra-estrutura ideal posso garantir, com satisfação, que o Ministério Público formou um elo com a comunidade, para que ela realmente encontre a sua cidadania. Isto já é um excelente começo.





