Trabalho informal não deve regredir, diz professor
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Nos últimos anos, médios e grandes centros urbanos têm tido problemas comuns no tocante a regulamentação de atividades tidas como informais. Cada vez mais, trabalhadores ressentidos com salários arrochados ou vítimas de demissões não conseguem voltar para o mercado formal e acabam engrossando as fileiras da informalidade. Em contrapartida, exigem tomadas de posições por parte do poder público que, em virtude de deficiências na fiscalização, se obriga a legitimar atividades que poderiam ser enquadradas como irregulares.
Em Londrina não é diferente. Primeiro foram os mototaxistas, que após muita conversa tiveram sua atividade regulamentada. Em seguida, acendeu uma intensa discussão envolvendo os vendedores ambulantes. Depois de anos de medidas paliativas, os camelôs acertaram um acordo com a Compannhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e decidiram se transferir das ruas e calçadas para um shopping popular. Mas ainda resta para a CMTU encontrar uma solução para alocar os artesãos, que não chegaram a um consenso com o Município e continuam amontoados em praças públicas.
Na última semana, surgiu uma nova e grande polêmica em Londrina, com a iniciativa da Associação Paranaense de Autodesenvolvimento Econômico e Sócio-Cultural (Apadesc), que anunciou a intenção de implantar um sistema ''alternativo'' com vans e microônibus para transporte de passageiros. O serviço funcionará nos mesmos moldes da atividade já exercida pelos chamados perueiros. Eles encontram resistência por parte do município.
O professor-adjunto do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ariovaldo Santos, avalia que o trabalho informal é uma tendência mundial já consolidada pelo modelo econômico neoliberal e não deve regredir. ''O capitalismo está entrando numa curva de descontrole e a informalidade é um sinal disso'', comenta o professor, que desenvolve projeto de pesquisa em nível de pós-graduação nas áreas de trabalho e sindicalismo. Ele lembra que a introdução de novas tecnologias, principalmente nos espaços fabris e no setor de serviços visando a redução dos gastos operacionais , afeta sobretudo os trabalhadores menos qualificados.
Com o desemprego, essa massa ociosa migra para o mercado informal, mais atrativo financeiramente. Mas Santos pondera que somente educação não basta. ''A educação cria condições (melhores), mas não dá garantias efetivas. O Estado joga a culpa do desemprego para o trabalhador, que estaria desempregado porque não se qualificou.'' Aos municípios, pontua, resta tratar das consequências dessa política econômica focada exclusivamente no lucro. Ele cita como exemplo a criação de camelódromos, que acabam legitimando uma contradição: fazem vistas grossas para a venda de mercadorias contrabandeadas.


