O trabalho infantil atinge 130 mil crianças e adolescentes no Paraná. A maioria delas está empregada no campo, trabalhando em lavouras de fumo, cana-de-açúcar e em plantações de frutas. Os casos mais graves de exploração desta mão-de-obra, na faixa etária entre 10 a 14 anos, acontecem nas regiões sudoeste e noroeste do Paraná. Esses dados foram apresentados ontem na audiência estadual preparatória para a 2ª Sessão do Tribunal Internacional sobre Trabalho Infantil, realizada ontem em Curitiba.
A audiência está reunindo denúncias contra a exploração da mão-de-obra infantil no Estado. Essas acusações serão apresentadas na 2ª Sessão do Tribunal, vinculado a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que acontece entre os dias 21 a 23, em São Paulo. O deputado Irineu Colombo (PT) conta que foram discutidos três pontos básicos: o trabalho infantil no campo, a precariedade no controle do emprego de crianças e a falta de instituições que façam um levantamento da realidade desse setor.
Atualmente, a Delegacia Regional de Trabalho do Paraná trabalha com projeções de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apurada em 1995. ‘‘A contratação de crianças tem diminuido nos últimos anos’’, afirma o delegado substituto Jorge Luiz de Paula Martins. Ele afirma que os abusos maiores acontecem no interior nas lavouras ou olarias.
Martins informa que do total de multas emitidas pela DRT as relacionadas com a exploração infantil ‘‘são significativas’’. ‘‘Mas não basta multar é preciso sensibilizar a comunidade’’, diz. Porém, o deputado Irineu Colombo afirma que as multas devem ser de valores mais elevados.
O delegado da DRT considera que a comunidade deve mudar a sua relação com o trabalho infantil. Para ele, a educação precisa ser trabalhada.‘‘Mas o principal ponto da discussão sobre o trabalho infantil é a geração de emprego’’, afirma. Para Martins, todo o trabalho de fiscalização e controle da exploração infantil cai por terra frente a necessidade da família de obter recursos para o sustento.

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