Trabalho, estudo e supermercado
Ainda de acordo com o estudo ''Mulher no Mercado de Trabalho'' do IBGE, na área da educação, enquanto 61,2% das trabalhadoras tinham 11 anos ou mais de estudo, ou seja, com pelo menos o Ensino Médio completo, os homens eram 53,2%, em 2009. Já a parcela de mulheres ocupadas com nível superior completo é de 19,6%, também superior ao dos homens, com 14,2%.
Dados oficiais também revelam que as mulheres são maioria entre os estudantes matriculados e concluintes dos cursos superiores, representando 61%. Nos cursos de mestrado e doutorado, os números são praticamente iguais, com uma ligeira vantagem para os homens, sendo menos de 0,1%.
''Sempre gostei de estudar e decidi voltar à universidade com uma filha pequena em casa. Acho que a mulher tem que compatibilizar o lado profissional e pessoal, mas confesso que havia momentos em que eu achava que não daria conta'', comenta Vera Benassi, engenheira de alimentos da Embrapa Soja, pesquisadora, mãe e dona de casa.
Aos 50 anos, Vera acaba de concluir um doutorado na área de tecnologia de alimentos e sua atividade é a cozinha experimental, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância de incluir a soja na alimentação. ''O universo feminino é diferente, mas apesar de cobrar muito mais de nós mesmas, também nos permite sair do trabalho para resolver alguma coisa de casa ou dos filhos'', afirma
Vera não é a única a equilibrar os estudos com os cuidados com a casa, família e o trabalho. Ela ilustra a realidade de muitas mulheres que representam um grande percentual nos cursos superiores e de mestrado e doutorado.
E mesmo com um currículo extenso, Vera não descarta a possibilidade de voltar a fazer um curso, com uma duração mais curta. ''Fui mãe tarde, aos 39 anos. Foi nessa época que caiu a ficha de que a vida da mulher é diferente. Tem coisas que não dá para delegar a ninguém, como por exemplo correr para o supermercado na última hora para comprar algo que está faltando ou então ajudar a filha na tarefa'', defende. O marido de Vera é bolsista na Federal e, portanto, passa boa parte da semana em Curitiba.
Apesar de toda essa responsabilidade, Vera não acredita que o mérito das mulheres possa estar relacionado à competência. ''Acho que a mulher tem alguns tipos de sensibilidade que o homem não tem e talvez essa característica tenha mais afinidade com as necessidades do mercado. As oportunidades estão aí e as mulheres estão aproveitando'', observa. (M.O.)





