Curitiba - O Paraná foi o estado com o maior crescimento no resgaste de trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2011, segundo o Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No total foram retirados da exploração ilegal 200 pessoas em 12 empresas que funcionam no Estado, representando uma alta de 66% em relação ao ano anterior, quando 120 trabalhadores estavam nestas condições.
O único Estado que supera o Paraná em quantidade de profissionais resgatados é o Pará, com 210, entretanto, foi registrada uma queda de 62% de um ano para outro já que, em 2010, existiam 559 pessoas trabalhando em situação precária.
Em outros quatro estados com mais ocorrências deste tipo de crime nas relações de trabalho (SC, MT, MG e GO) também ocorreram redução no resgate de trabalhadores. Em todo o País foram resgatados em 2011 2.416 trabalhores escravos, segundo o MTE.
A ''lista suja'' do trabalho escravo nunca teve tantos nomes. Atualizada no final do ano passado, a relação cresceu com a entrada de 52 novos registros e chegou ao recorde de 294 nomes, desde que foi criada, em 2004. No Paraná, cinco novas ocorrências foram incluídas - o quarto Estado com mais inclusões, somando no total 16 empregadores. O campeão nacional continua sendo o Pará, com 70 nomes.
Apenas contra os novos empregadores pesa a acusação de terem submetido 1.175 pessoas à escravidão, com trabalho degradante e privação da liberdade, em 14 estados de todas as cinco regiões. Fazem parte desta relação usineiros, madeireiros, fazendeiros, empresários urbanos, empreiteiros e políticos.
Operações
No caso do Paraná, de acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Gláucio Araújo de Oliveira, os principais problemas são encontrados em madeireiras, corte de pinus e plantações de erva-mate. Para ele, o aumento no número de empregadores do Estado na lista suja se deve à intensificação da fiscalização do MPT, além das denúncias que ocorrem com certa frequência.
''Encontramos diversos problemas, como falta de estrutura básica para o trabalhadores e baixos salários. As operações de fiscalização são recorrentes e ocorreram com intensidade principalmente baseadas em denúncias'', explicou o procurador.
Em um dos últimos casos registrados no Paraná, em dezembro de 2011, houve o flagrante em uma empresa de Bituruna, na Região Sul. Trinta e cinco trabalhadores, incluindo três adolescentes, eram explorados na colheita de erva-mate, em Bituruna, na Região Sul. Segundo o MPT, o grupo era mantido em barracões de lona sob comando de ''capatazes''. ''A prática do trabalho escravo em áreas de reflorestamento de pinus e lavouras de erva-mate existe há muito tempo. O que faltava era fiscalização para coibir, por isso nos últimos anos as ocorrências aumentaram'', completou o procurador.
Crédito
Para Alexandre Rodrigo Teixeira da Cunha Lyra, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, o cadastro de empregadores ''é um retrato do momento, que mostra que o processo de fiscalização está mais descentralizado e efetivo''. Segundo ele, esta ação do MTE preocupa os infratores mais até do que os processos na Justiça. ''A lista provoca a não tomada de crédito.''
Enquanto estiverem na lista, os infratores ficam impedidos de obter empréstimos em bancos oficiais do governo e sofrem restrições para vender seus produtos para grupos empresariais que assumiram o compromisso de não comprar de fornecedores incluídos no cadastro, por meio do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. As restrições valem por pelo menos dois anos, período no qual os infratores serão monitorados. Após este período, somente aqueles que sanarem as irregularidades, quitarem as multas e não reincidirem na exploração de escravos serão excluídos.

Imagem ilustrativa da imagem TRABALHO ESCRAVO -  Resgate cresce 66% no Paraná em 2011
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