Sempre que se fala em Antártida, a imagem que vem à cabeça é a das paisagens desertas e, com ela, o sentimento da solidão. Mas os pesquisadores garantem que não existe na Antártida a ‘‘oportunidade’’ de sentir falta de alguém ou de alguma coisa das suas terras de origem.
‘‘Na estação, e mesmo fora dela, você está o tempo todo esbarrando em alguém da equipe’’, conta Edith. ‘‘Não sobra muito tempo para isso. O tempo é praticamente todo dedicado ao desenvolvimento do projeto. Não dá para sair passeando e pensando em casa‘‘, diz a doutoranda Lucélia Donatti.
Segundo a doutoranda, quase todos os momentos são divididos com outras pessoas da equipe por causa das dificuldades encontradas no trabalho. Por isso, uma das principais regras é justamente a da convivência em grupo, não dando margem à solidão. ‘‘Eu não posso ser uma pessoa isolada’’, explica Lucélia,‘‘se eu dependo de um marinheiro para sair de barco, de um técnico para consertar as tomadas que dão choque. Lá, todo mundo depende de todo mundo’’.
Por isso, entre as as qualidades exigidas de um pesquisador antártico está a capacidade de trabalhar em grupo. ‘‘São basicamente seis requisitos’’, contabiliza Edith Fanta. ‘‘Saber viver em grupo, trabalhar em equipe, ter equilíbrio emocional, além de preparo técnico, bom nível científico e, acima de tudo, iniciativa’’.

mockup