Trabalho em delegacias especializadas é precário
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A situação se repete em quase todas as delegacias especializadas: elas passam horas e até dias inteiros sem a presença de um delegado, não possuem mais do que um escrivão e funcionam em espaços precários. O quadro poderia até ser justificável, se não estivéssemos falando de Londrina cidade de quase meio milhão de habitantes que só neste ano já registrou 94 homicídios, pelo menos 50 acidentes de trânsito com morte, mais de mil casos de violência contra mulheres e incontáveis apreensões de adolescentes e drogas.
É justamente para dar uma atenção mais adequada a tantos e tão diversos crimes, que estes são distribuídos em delegacias específicas. Em Londrina, são cinco: Mulher, Trânsito, Adolescente, Entorpecentes (Gecon) e Homicídios esta última funcionando dentro da 10 Subdvisão Policial. Mas como falar em ''atenção adequada'' quando um mesmo delegado chega a ficar responsável por uma unidade especializada, um Distrito Policial (DP) e plantões, tudo ao mesmo tempo?
''Todas as delegacias especializadas de Londrina são negligenciadas. Isso é fato'', sentencia a delegada Josane Caldardo, que atualmente se desdobra entre a Delegacia da Mulher de Londrina e o 1º Distrito Policial (DP) de Cambé (13 km a oeste de Londrina). ''Estamos todos com sobrecarga de trabalho, mas não podemos parar de atender as ocorrências. O ideal seria a gente fechar as portas da delegacia e só reabrir quando tivéssemos condições adequadas de trabalho'', desabafa, contando que dorme com o telefone celular ao lado do travesseiro para atender emergências e que já chegou a trabalhar sem pausa por mais de 24 horas. ''Está sendo escravizante'', conclui.
Josane não tem dias fixos para comparecer à Delegacia da Mulher. A princípio, a informação passada por funcionários é de que ela atende apenas um dia por semana. A delegada alega que comparece ''tantas vezes quantas forem necessárias'', mas admite que o acúmulo de trabalho prejudica o atendimento. Prova disso é o relato da cabeleireira C.A., 23, que conversou com a reportagem na sala de espera da delegacia.
''É o segundo dia em que tento registrar uma queixa contra o meu ex-namorado, que está me ameaçando de morte. Ontem, fiquei esperando das 15 às 17h30 e fui embora sem ser atendida. A sala de espera ficou lotada e não tinha ninguém para dar uma informação ou controlar a ordem de chegada das pessoas'', relatou a usuária.
Segundo Josane, além dela, o órgão conta com uma investigadora, dois escrivães e dois estagiários. Só de janeiro deste ano até a semana passada, a equipe teve que dar conta de 1.189 boletins de ocorrência uma média de quase 150 casos atendidos por mês. ''A polícia ganhou mais viaturas, mais computadores? É verdade. Mas quem vai sentar atrás dessas máquinas? Hoje temos mais computador do que gente nas delegacias'', acusa.


