A colheita de café no Norte Pioneiro e em Minas Gerais já reduziu quase pela metade a procura pelo Albergue Noturno de Londrina. Segundo a vice-diretora da instituição, Marina de Abreu Okuzono, a média diária de hospedagem no inverno de anos anteriores era de 50 pessoas. Este ano, caiu para cerca de 30 por noite. ‘‘É um indicativo de que a cultura do café volta a ter importância na geração de empregos, ainda que temporários’’, destaca Marina.
A clientela atendida pelo albergue noturno é formada basicamente por migrantes. São pessoas - muitas vezes famílias inteiras - que chegam à cidade em busca de emprego ou de tratamento médico. ‘‘Essas pessoas que não têm onde ficar são acolhidas pelo albergue, que oferece banho, alimentação e pouso’’, acrescenta a vice-diretora.
Marina de Abreu Okuzono informa que a redução pela metade na demanda pelo albergue vai possibilitar o atendimento a todos sem necessidade de campanha específica de doações. ‘‘Nos anos anteriores fomos obrigados a fazer campanha. Mas este ano as doações espontâneas continuam no mesmo patamar. Com a queda na procura, será possível atender a todos sem problemas.’
No início da noite de anteontem, mais quente do que as anteriores, havia 39 pessoas no allbergue. Uma delas era José Augusto da Costa, de 50 anos. Ele contou que veio de Assis/SP. ‘‘Estou procurando emprego. Se encontrar aqui, vou ficar. Senão, vou para Curitiba’’, disse, assegurando que sabe fazer de tudo. ‘‘Minha profissão é de serviços gerais. Faço qualquer coisa.’
Alexandre Martins Teixeira, de 18 anos, também passou a noite no albergue. Ele disse que sua família era de Jataizinho (a 21 quilômetros ao leste de Londrina) e mudou-se para Maringá. Alexandre preferiu ficar. ‘‘Já trabalhei em um açougue em Ibiporã, mas agora estou desempregado. Por isso venho ao albergue. Aqui posso tomar um banho, comer e dormir no quentinho.’

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