Trabalho é perigoso. Um operário já morreu
Soma/NYPra que reclamar?Juarez, de capacete, em obra americana: Dinheiro compensa sacrifícioNEW LONDON - A especialidade dos reservenses é pegar serviços pesados e perigosos em pontes e estradas. Atualmente, uma equipe de 30 paranaenses trabalha na reforma da ponte de New London, dividida em seis turmas. Ali, o maior perigo é trabalhar em precárias plataformas construídas na parte inferior da estrutura, suspensos por cordas, sujeitos a fortes ventos.
Em setembro do ano passado, um reservense sofreu um acidente. Jackson Szeremeta, de 22 anos, caiu da altura de 30 metros. Morreu espatifado no asfalto. A empresa pagou o funeral. O seguro pagou US$ 24 mil à família dele. Foi tudo bem rápido para evitar inquérito e ações de indenização, comuns na Justiça americana quando o morto é cidadão do país.
Vivos, os reservenses rendem muito mais. Aqui a gente pode ganhar até US $ 5 mil por mês, limpinhos, conta Luciano Boroseki, 21 anos, há seis meses na ponte. Quero juntar um dinheirinho e voltar para casa, sonha. Edson, de 22, Abimael, 24, José, 25, e Valter, 26, têm o mesmo projeto: economizar e voltar.
O segundo maior perigo do trabalho é o envenenamento por chumbo. Cada operário brasileiro recebe um macacão branco, luvas e máscara contra emanações do material tóxico. Os americanos não querem fazer esse trabalho por menos de US$ 10 mil por mês. Nós entramos no filão, afinal a metade já é uma fortuna no Brasil, conta o gaúcho Paulo Morais.
Ignorando os perigos, os operários paranaenses levam a vida dos sonhos da classe média brasileira: todos têm carro, moram em casas confortáveis, passam os feriadões em Nova York. Mesmo assim, eu sinto falta daquela coisa que a gente tem no Brasil, diz Luciano, certo de que não precisa explicar a coisa.
O dinheiro que a gente ganha aqui compensa qualquer sacrifício e saudades, essa garotada deveria parar de resmungar, responde o veterano Juarez, 42 anos, de Ponta Grossa. Tirando mais de mil dólares por semana, devem esquecer tudo , recomenda o mineiro Salatiel, de 35, um desiludido com o Brasil. Manda eles trabalharem lá em casa, pra ver o quanto vão ganhar.





