Trabalho e educação ajudam na recuperação de viciados
Na tentativa de quebrar o conceito de que casa de recuperação é depósito de viciados e infratores, dos quais a sociedade quer se ver livre, a Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas (CAAD) de Jacarezinho, está implantando diversos métodos ocupacionais, profissionalizantes e educacionais, para que os internos saiam do período de recuperação preparados para o mercado de trabalho.
A idéia de mudar a imagem de casa de recuperação, iniciou há um ano com o juiz de direito de Jacarezinho, Antônio Carlos Choma, que é orientador geral da CAAD. Vimos que seria uma perda de tempo segurar uma pessoa durante nove meses, tempo exigido no tratamento, somente pelo motivo de separá-la da sociedade, explicou Choma. Segundo ele, o primeiro passo foi a implantação do curso de primeiro e segundo graus supletivos, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), para que o interno não fique longe da escola. Os internos têm aulas de judô, futebol, educação física, dinâmicas de grupo e acompanhamento psicológico duas vezes na semana.
O próprio local em que a CAAD está instalada, na fazenda Padre Hebert, de 3,8 alqueires a 15 quilômetros de Jacarezinho, já se diferencia de qualquer tipo de internato. Com flores, gramado e tanques de água, permite aos internos lidar com hortas, estufas, animais de engorda e granja.
São atividades ocupacionais diárias que ajudam no sustento próprio, mas a meta é o ensino profissionalizante, através da implantação de uma panificadora e de uma marcenaria, informou Choma. Além destas profissões, o interno terá a partir deste ano, através da Secretaria Municipal do Trabalho, cursos de mecânico e eletrecista. A prática de criação de frangos, peixes e verduras para comercialização também está sendo implantada com a construção de tanques, granja e estufa para hidroponia (cultivo de verduras na água), acrescentou o juiz.
Fundada em 1981 e com capacidade para 36 pessoas, a CAAD é uma entidade filantrópica, que se mantém pelas mensalidades dos internos, três salários mínimos mensais e doações de uma diocese de Roterdã (Holanda).
Mesmo com a falta de apoio, os resultados obtidos com os internos, têm sido satisfatórios. Eu cheguei aqui completamente perdido e reencontrei minha vida. Era marginal e viciado desde os 14 anos, agora aprendi a viver só por hoje, disse o ex-interno Geraldo de Paula Dias Carvalho, 19 anos. Ele concluiu o tratamento em novembro de 98 e hoje está empregado numa fábrica de açúcar e lidera um grupo de 50 jovens na Renovação Carismática Católica em Cambará.
O escritório da CAAD fica em Jacarezinho. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (043) 722-1966.Carlos AlmeidaGeraldo Carvalho, 19 anos, está empregado numa fábrica de açúcarLuciane Tonon





