Trabalho do 'coração' atrai 170 profissionais
Trabalho do coração atrai 170 profissionais
Quando chove, como ocorreu ontem de manhã, o número de pacientes que procuram o centro social da paróquia Coração de Maria diminui. A dificuldade das pessoas em saírem da periferia até o centro da cidade, enfrentando a água, o barro e os ônibus coletivos lotados, espanta os carentes e deixa o prédio um pouco mais tranquilo. Mesmo assim tem gente que faz esforço e dá um jeito para receber o atendimento.
É o caso de Adevanir da Cruz Gallo, 46 anos, que faz fisioterapia e tratamento odontológico no centro há dois anos. Cinco anos atrás, ele sofreu um derrame cerebral e, desde então, não pôde mais andar ou falar normalmente. Ontem, precisou de ajuda de familiares para ganhar uma carona do Conjunto Ruy Virmond Carnasciali (zona norte), onde mora, até o centro. Aqui está ótimo. O trabalho é muito bom e eu gostaria de parabenizar os profissionais. Hoje já me sinto bem melhor, diz.
A mulher de Adevanir, Dalva Ross Gallo, 47 anos, lembra que o marido trabalhou como motorista de ônibus e frentista. Mas depois do problema médico não pôde mais arrumar serviço. E o pior: por problemas burocráticos, até agora a aposentadoria não foi viabilizada. Ele não recolhia o imposto. Agora o caso está na Justiça, diz Dalva, que também recebe tratamento odontológico no centro.
Sirlei Aparecida Barizon, 30 anos, moradora de um sítio próximo ao distrito de São Luiz, também enfrentou a chuva ontem para não perder a consulta com o dentista. Ela disse que primeiro procurou o centro para tirar um dente condenado. Depois, foi aconselhada a tratar dos outros que ainda poderiam ser salvos.
No sítio é difícil ter atendimento. E se não fosse esse serviço, a gente teria muita dificuldade. As coisas não estão fáceis hoje em dia, disse. E aqui o tratamento é muito bom, todo mundo é atencioso, tanto a secretária quanto o dentista.
Para o dentista Luís César Almeida Silva, que coordena a equipe odontológica, o grande lucro do serviço voluntário no local é o prazer de poder ajudar os mais carentes. Ele trabalha no centro desde 1991, quando se formou em Bauru (SP) e voltou para Londrina. Todo mundo deveria fazer pelo menos um pouquinho. O que a gente faz aqui não faz nenhuma falta no consultório, garante.
Ciro Nishiyama, também dentista, que atende há dois anos uma vez por semana no local, garante que a mesma dedicação que tem no consultório ele dispensa para o centro social. É o coração da gente que manda fazer este trabalho, afirmou. E o problema da economia do País está muito difícil. Por isso pretendo, enquanto puder, continuar trabalhando aqui. (L.H.)





